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16 de May de 2021

DESMENTIDO

Em cadeia nacional, Bolsonaro distorce ações do governo e diz que 2021 será ‘ano da vacinação’

24/03/2021 | 11h40min
Foto: reprodução/vídeo

No dia em que o país atingiu mais um índice negativo com mais de 3 mil mortes em 24h, o presidente Jair Bolsonaro fez um pronunciamento em cadeia nacional de rádio e TV, nessa terça-feira (23). Além das mortes, o Brasil vive na iminência de um colapso de falta de leitos de UTI e medicamentos para intubação de pacientes, além da escassez de vacinas.

O presidente distorceu as ações do governo federal durante o ano de 2020, além de posicionamentos pessoais dele e, numa mudança de postura, afirmou que 2021 será “o ano da vacinação dos brasileiros”.

“Estamos fazendo e vamos fazer de 2021 o ano da vacinação dos brasileiros. Somos incansáveis na luta contra o coronavírus”, afirmou Bolsonaro, que distorceu ações do governo durante o combate da pandemia e mentiu sobre a sua atuação.

O presidente prometeu ainda imunizar toda a população até o final de 2021, apesar de o Ministério da Saúde ter reduzido pela sexta vez a previsão de envio de vacinas para os Estados. “Ao final do ano, teremos alcançado mais de 500 milhões de doses para vacinar toda a população. Muito em breve, retomaremos nossa vida normal”, afirmou.

Bolsonaro repetiu o discurso de que é preciso enfrentar o vírus e o desemprego, mas ignorou todas as medidas contrárias à prevenção e combate ao vírus afirmando que “em nenhum momento, o governo deixou de tomar medidas importantes tanto para combater o coronavírus como para combater o caos na economia, que poderia gerar desemprego e fome”.

Uma das medidas econômicas que o governo tomou foi o auxílio emergencial, porém, além do valor de R$ 600 rechaçado pelo presidente, durante os últimos 12 meses, Bolsonaro minimizou a pandemia, provocou aglomerações, falou contra o uso de máscaras, impediu negociações de imunizantes e, por diversas vezes, manifestou-se contra as vacinas.

Outra informação falsa foi em relação à posição do Brasil no ranking de vacinação. Ele afirmou que o Brasil é o quinto país que mais vacina no mundo, com mais de 32 milhões de doses distribuídas ao estados “graças às ações que tomamos logo no início da pandemia”. O país ocupa a 60ª posição e Bolsonaro ignorou ter acelerado as negociações para compra de imunizantes depois que o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), começou a articular a compra da chinesa Coronavac.

“Sempre afirmei que adotaríamos qualquer vacina, desde que aprovada pela Anvisa. E assim foi feito”, afirmou Bolsonaro, omitindo que até mesmo sua principal aposta, a vacina Oxford/AstraZeneca, foi contratada antes da aprovação pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

O presidente disse no pronunciamento que “em julho de 2020, assinamos um acordo com a Universidade de Oxford para a produção, na Fiocruz, de 100 milhões de doses da vacina AstraZeneca e liberamos, em agosto, R$ 1,9 bilhão”. A autorização para o uso emergencial só foi concedida pela Anvisa em 17 de janeiro, junto com a da Coronavac.

A agência de checagem Aos Fatos, fez uma thread no Twitter rebatendo ponto a ponto do pronunciamento do presidente. Siga o fio:


Redação

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