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08 de March de 2021

PERSEVERANÇA

A luta dos universitários indígenas para não desistir das aulas em ensino remoto nas aldeias durante a pandemia

21/02/2021 | 14h35min
Dionísio Crixi (ao fundo está Geizy, funcionária da faculdade em que ele estuda), Maria da Penha e Ertiel: alunos do ensino superior tiveram de estudar em suas aldeias durante a pandemia — Foto: Arquivo Pessoal/BBC
Dionísio Crixi (ao fundo está Geizy, funcionária da faculdade em que ele estuda), Maria da Penha e Ertiel: alunos do ensino superior tiveram de estudar em suas aldeias durante a pandemia — Foto: Arquivo Pessoal/BBC

Logo que o ensino remoto teve início em meio à pandemia de covid-19, no ano passado, a universitária Maria da Penha, de 25 anos, passou a enfrentar diversos problemas para continuar no curso de serviço social da Universidade de Brasília (UnB).

A estudante indígena, que faz parte do povo Atikum, morava em Brasília desde que ingressou no ensino superior em 2019. No início da pandemia, em março passado, a jovem precisou deixar a capital federal e retornar para a sua aldeia no município de Carnaubeira da Penha, no sertão de Pernambuco.

Em agosto de 2020, quando as aulas remotas da UnB começaram, surgiram também as dificuldades, como a falta de um computador e uma conexão de internet precária. “Já fiquei dias sem conseguir assistir a uma aula”, diz Penha à BBC News Brasil. Os problemas de conexão, que costumam afetar até mesmo estudantes que moram nos centros urbanos, são ainda maiores para quem mora em áreas rurais ou terras indígenas.

Em meio às dificuldades, a universitária também convive com o temor da covid-19, que tem afetado duramente os povos indígenas do país. “Dois tios idosos faleceram por causa do coronavírus. Isso mexe muito com o nosso psicológico. Já passei alguns dias bem nervosa e preocupada”, conta ela, que chegou a considerar a possibilidade de trancar o curso.

Problemas como os enfrentados por Penha têm sido vivenciados por outros milhares de universitários indígenas no país. O estudo a distância improvisado em meio à pandemia encontra problemas como a falta de aparelhos eletrônicos, internet ruim, falta de apoio pedagógico e ausência de local adequado para os alunos estudarem.

Especialistas consideram que a inclusão de indígenas no ensino remoto tem sido extremamente precária. E a situação deve se estender por mais tempo, porque muitas instituições de ensino vivem um período de incerteza em relação ao retorno das aulas presenciais, em razão da piora do cenário da pandemia no Brasil nos últimos meses.

‘Um período estressante’

Penha admite que pensou em trancar o curso de serviço social por conta das dificuldades trazidas pela pandemia — Foto: Arquivo Pessoal/BBC

Penha admite que pensou em trancar o curso de serviço social por conta das dificuldades trazidas pela pandemia — Foto: Arquivo Pessoal/BBC

“Tem sido um período complicado e muito estressante”, desabafa Penha sobre o ensino remoto. Ela afirma que não abandonou as aulas durante a pandemia porque acredita que é fundamental ter um curso superior para ter uma profissão. “Tenho que continuar (estudando)”, diz.

A internet na aldeia dela funciona por meio de satélite. “É bem fraca”, diz a jovem. Em muitos momentos, não há conexão. “Já perdi muitas aulas por causa da internet. Cheguei a perder provas por causa disso”, comenta.


G1

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