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08 de March de 2021

'CLOROQUINA' VENEZUELANA

Nicolás Maduro anuncia ‘gotas milagrosas 100% eficazes’ contra o coronavírus

26/01/2021 | 10h52min
Foto: divulgação/Twitter Nicolás Maduro

Em um pronunciamento em rede de TV estatal, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, apresentou no domingo (24), um antiviral que ele diz ser capaz de “neutralizar em 100% o coronavírus”. As “gotas milagrosas” do remédio chamado Carvativir teriam passado por nove meses de estudos em pacientes internados na rede pública de saúde venezuelana.

“Está estabelecida a patente nacional e internacional e o registro sanitário foi feito no país, e posso apresentar o medicamento que neutraliza 100% o coronavírus, o Carvativir, mais conhecido como gotas milagrosas”, disse Maduro, no tradicional pronunciamento dominical na VTV Venezuela, rede de televisão estatal.

Apesar da euforia, o presidente não apresentou os princípios ativos do medicamento, nem qualquer prova científica publicada. Segundo ele, a fórmula ainda constará em revistas científicas especializadas, além de apresentá-la à Organização Mundial de Saúde (OMS) para obter certificação internacional.

De acordo com Maduro, os testes aconteceram no Hospital Poliedro de Caracas, durante nove meses, sendo as “gotas milagrosas” administradas em pacientes moderados sem sintomas, em estado grave intubados e nos que apresentavam risco de morte. Todos conseguiram se recuperar da doença, segundo o presidente.

Maduro continuou e afirmou que o medicamento é totalmente seguro e não apresenta efeitos colaterais. Ele alegou que o estudo foi feito sob sigilo para evitar o que ele chama de “grupo de interesses”, razão pela qual nenhum membro da saúde participou do anúncio.

“São dez gotas sob a língua a cada quatro horas e o milagre está feito. É um poderoso antiviral que neutraliza o coronavírus, fabricado na Venezuela”, garantiu o presidente.

A Venezuela tem a intenção de iniciar o quanto antes a produção em massa do novo medicamento para ser distribuído na rede pública, privada e em farmácias. O Ministério da Saúde local emitirá resolução oficial incorporando o medicamento aos protocolos diretos de tratamento, oferecidos gratuitamente aos portadores de coronavírus

A proposta do país venezuelano também é exportar aos demais membros da Aliança Bolivariana (ALBA) “Quando pensamos no mundo o fazemos como nosso Cristo Redentor o faria”, afirmou Maduro.

Situação semelhante à apresentada na Venezuela foi vivida no Brasil com o “tratamento precoce” que ainda é defendido pelo presidente Jair Bolsonaro e o Ministro da Saúde, General Eduardo Pazuello, que desde o início da pandemia insistem no uso da cloroquina, ivermectina e azitromicina.

Para o coordenador executivo do Centro de Contingência de Combate ao Coronavírus de São Paulo, médico João Gabbardo, “a ignorância não tem lado, pode estar à direita, ao centro e à esquerda”, criticando o anúncio do governo venezuelano. Gabbardo também atuou no Ministério da Saúde, durante a gestão do ex-ministro Henrique Mandetta.

À CNN, o médico Marco Túlio, que faz parte do Comitê Voluntário de Combate à Covid-19 no Amapá, que atua na linha de frente ao coronavírus, afirmou que nunca ouviu falar sobre o tratamento apresentado pela Venezuela. Ele comentou que é necessária a apresentação de mais estudos do país vizinho para a comunidade acadêmica ter dimensão de seus efeitos.

“Qualquer medicamento deste porte, antes da divulgação, deve existir vários estudos em revistas relacionadas a esse efeito. É estranha uma substância totalmente desconhecida ganhar um destaque de ter efeito eficaz. Mesmo as nossas drogas que estão sendo debatidas, como a hidroxcloroquina e ivermectina, tem dezenas de estudos sobre elas. Essa droga da Venezuela, nunca ouvi falar”, afirmou.

Em nota, no dia 19 de janeiro, antes da divulgação de Maduro, Sociedade Brasileira de Infectologia, divulgou um “Informativo Conjunto sobre Vacinação e Tratamento Farmacológico Preventivo”, reiterando a inexistência de medicamentos com eficácia comprovada na prevenção ou “tratamento precoce”. A nota também reafirma a importância da vacina.


Redação com informações da CNN

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