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09 de April de 2020

MISTÉRIO

Bolsonaro pede ‘perícia isenta’ em corpo de ex-PM miliciano

18/02/2020 | 12h34min
Presidente Jair Bolsonaro (Foto: Reprodução)

O presidente Jair Bolsonaro voltou a comentar a morte do ex-capitão do Bope Adriano Magalhães da Nóbrega, morto durante uma operação de policiais do Bope da Bahia em uma fazenda no município de Esplanada, a 144 quilômetros de Salvador. No fim de semana, o presidente acusou a “PM da Bahia, do PT” de executá-lo em uma possível queima de arquivo e afirmou que Adriano era “herói” quando foi condecorado.

Em uma postagem no Twitter, feita na manhã desta terça-feira (18), Bolsonaro pediu uma “perícia isenta e independente” no corpo do ex-policial, apontado como líder da Milícia de Rio das Pedras, uma das mais antigas do Rio de Janeiro.

Na segunda-feira (17), o juiz titular do 4º Tribunal do Júri do Rio, Gustavo Gomes Kalil, decidiu que não há necessidade de preservar o corpo do ex-capitão e nem de realizar nova necrópsia no cadáver.

“A quem interessa não haver uma perícia independente? Sua possível execução foi “queima de arquivo” Sem uma perícia isenta os verdadeiros criminosos continuam livres até para acusar inocentes do caso Marielle”, escreveu Bolsonaro.

O presidente ainda completou dizendo: “PS.: quem fará a perícia nos telefones do Adriano? Poderiam forjar trocas de mensagens e áudios recebidos? Inocentes seriam acusados do crime?”.

O miliciano já foi condecorado por um dos filhos do presidente, o então deputado estadual Flávio Bolsonaro, atualmente senador. A mãe de Adriano, Raiumunda Veras Magalhães, e a ex-mulher dele, Danielle Mendonça, já trabalharam no gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio. Adriano é um dos investigados por suposto esquema de “rachadinha” no gabinete de Flávio na Alerj.

A decisão do TJ-RJ de não preservar o corpo de Adriano foi dada no processo da Operação Intocáveis, da qual o miliciano era alvo. O cadáver está no Instituto Médico Legal (IML) do Rio desde a noite desse domingo.

O magistrado revogou duas decisões dadas na última semana, por ele e por outro juiz, Guilherme Schilling, em relação a Adriano. Na primeira delas, após pedido do MP, Kalil havia determinado que o corpo de Adriano não poderia ser cremado, o que era um desejo de sua família.

Na outra, Schilling atendeu a um pedido da companheira do miliciano, Julia Lottufo, e determinou que o corpo do ex-PM fosse levado para o IML do Rio, onde deveria ser conservado. O juiz, no entanto, negou pedido para que o cadáver passasse por uma nova necrópsia, a ser realizada por um perito particular contratado pela família do miliciano.

O juiz Gustavo Gomes Kalil revogou as decisões da última semana após extinguir a punibilidade de Adriano no processo da Operação Intocáveis. Essa era a única ação respondida por Adriano. Como o miliciano não é mais réu no processo e a investigação sobre as circunstâncias da morte de Adriano estão a cargo da Polícia Civil da Bahia, o magistrado entendeu que as decisões deveriam ser revogadas.

Na última sexta-feira, o advogado Paulo Emílio Catta Preta, que representa Júlia e defendia Adriano no processo criminal que era respondido por ele, entrou com novo pedido na Justiça da Bahia para solicitar a nova necrópsia no corpo do miliciano. Ainda não houve decisão para a solicitação.

Ainda há outra decisão da Justiça do Rio, dada pela juíza Maria Izabel Pieranti, do Plantão Judiciário, impedindo a cremação do corpo de Adriano. Não há qualquer impedimento judicial para que a família enterre o miliciano. No entanto, como há intenção de realizar nova perícia no corpo, a família por enquanto não pretende realizar o enterro.

Adriano foi morto durante uma operação de policiais do Bope da Bahia em uma fazenda no muicípio de Esplanada, a 144 quilômetros de Salvador. O miliciano foi atingido com dois tiros. A Polícia Civil da Bahia investiga a morte para saber se o ex-capitão do Bope reagiu à abordagem dos policiais e atirou contra eles, conforme alegado em depoimento pelos PMs que participaram da ação.


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