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14 de July de 2020

CRISE

Mortos pelo coronavírus na China chegam a 41 e hospitais entram em colapso em Wuhan

25/01/2020 | 18h16min

A China entrou neste sábado (25) em um novo ano lunar, o do Rato, e não começou com o pé direito. A crise pelo coronavírus de Wuhan parece estar ficando cada vez mais grave e as próprias autoridades dessa cidade, o epicentro do contágio, reconhecem que os suprimentos médicos estão atingindo níveis alarmantemente baixos. O número de mortos na China já chega a 41 e o de infectados passa de 1.350 −um salto de mais de 500 pessoas em 24 horas−, um total que pode ser muito maior, já que há outros 2.000 casos suspeitos. Entre os mortos está um médico que tratava esses pacientes em Wuhan, identificado como Liang Wudong, de 62 anos.

Liang, um especialista em doenças respiratórias do hospital Hubei Xinhua, começou a apresentar os sintomas −tosse, febre alta, dificuldade para respirar− há uma semana, disseram seus colegas à imprensa local, e estava internado desde então.

A morte de Liang pôs em evidência os riscos aos quais estão expostas as equipes médicas de Wuhan e outras 13 cidades da província de Hubei, nas quais 46 milhões de pessoas estão em quarentena. As autoridades de saúde já tinham confirmado dias atrás que entre os infectados estavam 15 médicos e enfermeiros, 14 deles contagiados por um único paciente, um homem submetido a uma cirurgia cerebral. Na quinta-feira morreu outro médico, o especialista em doenças infecciosas Jiang Jijun, que teve uma parada cardíaca enquanto atendia pacientes.

A sobrecarga dos hospitais é evidente em vários vídeos que circulam nas redes sociais, apesar da censura. Em um deles, uma enfermeira chora de esgotamento; em outro, uma mulher que se descreve também como enfermeira denuncia a presença, em um corredor, de três corpos que ninguém tem tempo de retirar. Outros mostram salas de espera superlotadas. Alguns hospitais começaram a recusar pacientes devido à impossibilidade de atendê-los.

Não se trata apenas de esgotamento. Os níveis de suprimentos para tratar os doentes estão caindo para níveis alarmantes, o que levou os hospitais públicos a lançar um apelo solicitando doações. Pedem máscaras, aventais cirúrgicos, desinfetantes, óculos de proteção. Os suprimentos atuais, segundo o jornal estatal The Paper, chegam para no máximo cinco dias. Um funcionário provincial citado pela Reuters reconheceu que os estoques desses materiais estão muito baixos e a crise continua em níveis graves. Segundo esse funcionário, até o momento foram recebidas doações de 1,2 milhão de máscaras e 30 milhões de yuans (mais de 18 milhões de reais).

Para tentar aliviar a situação o mais rápido possível, e num sinal da urgência da situação, Wuhan construirá às pressas um segundo hospital dedicado exclusivamente a pacientes com coronavírus, com 1.300 leitos. Esse hospital, informou o Diário do Povo, vai se somar ao que foi anunciado na sexta-feira, que começou a ser erguido com módulos pré-fabricados e deve ser concluído em apenas 10 dias, com mil leitos.

Além disso, a Comissão Nacional de Saúde enviou a Hubei mais de 1.200 profissionais de saúde procedentes do resto do país. O Exército chinês também deslocou um contingente de 450 médicos militares, alguns deles especializados na luta contra o ebola na África e contra o SARS, uma síndrome respiratória que é causada por um coronavírus da família do atual e matou mais de 700 pessoas em 2003.


EL PAÍS

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