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14 de July de 2020

FAZ COMÍCIO

Guaidó visita a Espanha, onde sua presença provoca tensão política

25/01/2020 | 16h47min

O líder da oposição venezuelana Juan Guaidó chegou neste sábado (25) à Espanha, onde deve realizar um comício, mas não foi recebido pelo presidente Pedro Sánchez, o que desencadeou uma tempestade política no país.

Reconhecido como presidente interino da Venezuela por 50 países, incluindo a Espanha, Guaidó se encontrou com a ministra das Relações Exteriores, Arancha González. O encontro não ocorreu na sede da chancelaria, mas na Casa da América.

Na reunião, González transferiu “ao presidente encarregado o apoio total do governo da Espanha à sua figura” e o desejo da Espanha de gerar “condições para a realização de eleições presidenciais com garantias democráticas”, segundo comunicado de seu gabinete.

Por outro lado, a oposição conservadora do Partido Popular (PP) lhe deu uma recepção de chefe de Estado: seu líder, Pablo Casado, se reuniu com Guaidó, e o prefeito de Madri, José Luis Martínez-Almeida, entregou-lhe a Chave de Ouro da cidade, em um ato no qual ele foi apresentado como “Presidente da República da Venezuela”.

Casado criticou Sánchez por “não receber o presidente legítimo da Venezuela”, algo que irritou o entorno de Guaidó e Washington.

– ‘Não estamos sozinhos’ –

“Sabemos que não estamos sozinhos”, disse Guaidó após receber o reconhecimento da Prefeitura de Madri, que disse aceitar em nome de estudantes, professores, trabalhadores e deputados venezuelanos “que, apesar da chantagem, da perseguição e da prisão, permaneceram firmes em nome da liberdade”.

Depois de visitar Londres, Bruxelas, Davos e Paris em uma turnê europeia, esse engenheiro de 36 anos fará um comício na Puerta del Sol, no coração da capital espanhola.

Em sua primeira reação à polêmica gerada, Sánchez evitou se pronunciar diretamente sobre a falta de um encontro com Guaidó, mas demonstrou seu compromisso com o “caminho democrático” como saída para “uma crise complexa, que exigirá diálogo” na Venezuela, em declarações neste sábado a jornalistas da região de Valência (leste).

“Sempre apoiamos a oposição venezuelana”, disse Sánchez, citando como exemplo o líder da oposição Leopoldo López, refugiado na residência do embaixador espanhol em Caracas.

Casado, que criticou Sánchez por não receber Guaidó – que por sua vez havia se encontrado com líderes com primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, a chanceler alemã, Angela Merkel, e o presidente francês, Emmanuel Macron – ligou a postura do presidente espanhol à entrada do partido de esquerda Podemos no governo. Esta formação já demonstrou simpatia com o chavismo no passado.

O ambiente ficou tenso quando o ministro do Desenvolvimento, José Luis Ábalos, foi ao aeroporto de Madri e encontrou a número dois do governo da Venezuela, Delcy Rodríguez, que está proibida de viajar para a União Europeia.

Segundo o relato de Ábalos, ele foi ao aeroporto receber o ministro venezuelano de Turismo, que é seu amigo pessoal e pediu que ele cumprimentasse a vice-presidente, que viajava no mesmo avião particular para a Turquia.

“E foi o que fiz, apenas a cumprimentei. Lembrei-a de que ela não poderia entrar em solo espanhol devido às sanções da União Europeia”, disse Ábalos, em entrevista ao jornal La Razón neste sábado.

Ábalos garantiu que o tratamento que será dado a Guaidó responde à “posição especial” da Espanha como líder na Europa para buscar uma “solução democrática equilibrada” para a crise venezuelana.

Guaidó, que se autoproclamou presidente da Venezuela há um ano, violou a proibição de deixar seu país para iniciar esta viagem pela Europa em busca de apoio para retirar Maduro do poder.

A Espanha, um dos destinos preferidos dos venezuelanos que deixaram o país por causa da crise (4,6 milhões desde 2015, segundo a ONU), abriga cerca de 324.000 venezuelanos, segundo dados oficiais de 2019.


AFP

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