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01 de October de 2020

ATENÇÃO

Banhistas relatam novas manchas de óleo ‘invisível’ em praias do Nordeste

15/01/2020 | 11h24min

Banhistas foram surpreendidos com novas manchas de óleo em praias do Nordeste. De acordo com relatos ao site UOL, as manchas são invisíveis a olho nu, mas os fragmentos grudam no corpo das pessoas.

Pesquisadores e autoridades confirmaram o problema em alguns pontos do litoral. Em Alagoas, na praia de Barra de São Miguel, um casal de turistas com duas crianças deixou o local devido a manchas de óleo na sola dos pés.

De acordo com o UOL, óleo “invisível” também foi percebido na praia de Cupe, litoral sul de Pernambuco.Na Bahia, problema similar foi flagrado na praia de Cumuruxatiba.

Segundo o último balanço do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis), do final de agosto até o dia 8 de janeiro de 2020, 997 localidades haviam sido afetadas em 130 municípios dos estados do Nordeste, além do Espírito Santo e do Rio de Janeiro.

O que diz a Marinha

Em contato com o Portal Paraíba.com.br, nesta quarta-feira (15), o Grupo de Acompanhamento e Avaliação (GAA), formado pela Marinha do Brasil (MB), Agência Nacional de Petróleo (ANP) e Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), informou que a situação caminha para a normalidade, sendo que as poucas localidades ainda afetadas apresentam somente vestígios esparsos.

Em nota, o GAA alega que as ações no litoral, atualmente, estão concentradas no monitoramento, pois grande parte do óleo encontrado já foi retirado das áreas atingidas e destinado ao descarte adequado.

‘Hoje o trabalho está focado nos pontos de término de limpeza’, disse o GAA.

Confira nota

Investigações

Com relação ao crime ambiental de derramamento de óleo que atingiu o litoral nordestino a partir de 30 de agosto, a Marinha do Brasil informa que segue trabalhando em diversas linhas de investigação, com apoio do Ibama, da Polícia Federal, da Agência Nacional do Petróleo, agências e órgãos nacionais e estrangeiros, iniciativa privada, além de contar com peritos e pesquisadores da área científica e acadêmica.

No tocante às amostras coletadas e analisadas pelo Instituto de Estudos do Mar Almirante Paulo Moreira (IEAPM) e Petrobras, foi atestado que o óleo encontrado em diferentes praias do litoral brasileiro possui características semelhantes, e coincide com o extraído em campos da Venezuela, à exceção do óleo que tocou o litoral do Ceará no dia 30DEZ2019, que foi constatado não ser compatível ao óleo encontrado nas demais praias.

Com base em estudos oceanográficos das correntes marinhas, foi determinada uma área marítima de investigação de onde pudesse haver dispersão de óleo para abranger a área afetada. Os limites norte e sul dessa área foram obtidos por meio de resultado de modelos numéricos de corrente gerados pelo Centro de Hidrografia da Marinha (CHM), além de modelos de dispersão de óleo gerados por instituições científicas – Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, Universidade Federal do Rio Grande, Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, além da National Oceanicand Atmospheric Administration (agência norte-americana responsável pelo monitoramento dos oceanos, hidrovias e atmosfera) – a pedido do CHM.

Os parâmetros acima descritos e o rigor da investigação nos permitem manter as seguintes linhas de investigação:

a) Afundamentos recentes ou antigos de navios – a investigação verificou que não houve afundamento recente na área investigada, pedidos de socorro ou alguma situação meteorológica recente que pudesse ter ocasionado um afundamento súbito, não reportado ou pedido de socorro. Quanto a afundamentos antigos, todos os conhecidos nessa área estão sendo investigados, ainda que a probabilidade também seja muito baixa.

b) Derramamento (acidental ou intencional) durante manobra ship-to-ship ou trânsito de navios petroleiros – confrontando a análise do tráfego marítimo, os estudos de modelagem numérica de dispersão de óleo no oceano e as respostas das Autoridades Marítimas, permanecem 13 navios sob investigação.

c) Descarte irregular de tambores de óleo encontrados nas praias do Nordeste – o conteúdo de todos os tambores foi analisado pelos laboratórios do IEAPM e da PETROBRAS, onde foi constatada a presença de mistura oleosa com características distintas do óleo cru que aparece nas praias. Até o presente momento não existem indícios que o navio que descartou os tambores no mar seja o mesmo que derramou o óleo cru.

Mesmo assim, esse descarte dos tambores configura outro crime ambiental, que permanece sendo investigado, inclusive com o auxílio dos fabricantes, distribuidoras e companhias de navegação, a fim de rastrear quais navios que passaram em nossa costa e lançaram esses tambores ao mar.

As investigações prosseguem com apoio de instituições públicas e privadas, nacionais e estrangeiras. Cabe ressaltar que todos os recursos disponíveis e esforços estão sendo empregados para identificar as circunstâncias e a fonte causadora desses crimes.


Redação

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