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09 de April de 2020

TRIUNFO

Boris Johnson consegue maioria arrebatadora e tem caminho livre para aprovar Brexit

13/12/2019 | 10h10min
Boris Johnson, nesta sexta-feira, em Londres. PETER NICHOLLS REUTERS

Boris Johnson conseguiu nesta quinta-feira levar o Partido Conservador a um dos maiores triunfos eleitorais das últimas décadas. Os tories superaram com folga o teto ao qual aspiravam, uma maioria de 326 deputados na Câmara dos Comuns. Faltando definir o destino de cinco assentos, num total de 650, os conservadores elegeram 361 deputados, inclusive destronando os trabalhistas nas áreas historicamente identificadas como a muralha vermelha desse partido centro-esquerdista, uma faixa que se estende do norte de Gales ao norte da Inglaterra.

O slogan da campanha de Johnson, Get Brexit Done (“façamos o Brexit”) acabou funcionando —foi principal fator para o voto nesta eleição. A soma dos eleitores que respaldaram o fim da integração à União Europeia no referendo de 2016 com os aqueles já estão cansados do interminável debate sobre o Brexit, que paralisa o Reino Unido desde então, mais uma fatia da esquerda decepcionada com a ambiguidade de Jeremy Corbyn, o líder trabalhista, acabou permitindo que o atual ocupante da residência oficial da Downing Street fosse reconduzido ao cargo.

“Obtivemos a maior vitória conservadora desde a década de 80. Com este mandato e esta maioria, vamos concluir a tarefa do Brexit”, disse Johnson aos seguidores reunidos na sede do Partido Conservador no começo da madrugada de sexta-feira. O primeiro-ministro se dirigiu especialmente a todos os eleitores —trabalhistas, em sua maioria— que apostaram por ele neste pleito. “Aceito sua confiança com toda a humildade do mundo, e trabalharei para que voltem a votar em nós no futuro”, afirmou.

Foi um discurso de comemoração da vitória, mas também para tentar estabelecer o tom de seu próximo Governo. Por isso ele insistiu na necessidade de unir o país e deixar para trás a divisão do Brexit. Eliminada a possibilidade de um segundo referendo, o Reino Unido sairá definitivamente da UE em 31 de janeiro do ano que vem, anunciou Johnson, e o país recuperará “o controle sobre nossas leis e nossas fronteiras”.

Nos próximos dias, ele será encarregado pela rainha Elizabeth II de formar um novo Governo, apresentará seus planos futuros à Câmara dos Comuns, para submetê-los a debate e votação, e impulsionará o acordo selado por ele com Bruxelas, mas que o Parlamento barrou na legislatura anterior. Abre-se um período vertiginoso em que Johnson deverá começar a desenhar o futuro que deseja para o país, e que no transcurso da campanha —focado numa única mensagem, o Brexit— ele mal abordou.

Foi a noite da derrota mais amarga do líder do Partido Trabalhista, Jeremy Corbyn. Com pouco mais de 200 deputados, seu resultado recorda a catástrofe de Michael Foote em 1983. “Já não serei mais o candidato das próximas eleições. Ajudarei o Partido a discutir adequadamente o processo que se abrirá a seguir. O Brexit polarizou a sociedade e solapou o resto de assuntos políticos”, admitiu Corbyn no centro de apuração da circunscrição de Islington North, onde paradoxalmente derrotou seu rival com uma ampla diferença.


EL Pais

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