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12 de August de 2020

SUPERAÇÃO

Ele trabalhou pela manhã e depois do almoço e foi prata no Pan ao fim da tarde

02/08/2019 | 12h43min
Marcelo Suartz mostra sua medalha de prata Washington Alves/COB

Imagine que você faz o famoso home office e tem que entregar um projeto a um cliente. Começa a fazê-lo pela manhã e termina depois do almoço. Ao fim da tarde, porém, você já virou a chave e agora é vice-campeão dos Jogos Pan-Americanos.

Parece uma história estranha, mas aconteceu com um brasileiro em Lima.

Marcelo Suartz tem uma empresa de marketing digital e precisa entregar um projeto no dia da final do boliche. Isso, porém, não atrapalhou em nada o seu resultado. Pelo contrário: em meio a atletas profissionais que vivem só do boliche, ele acabou com a medalha de prata – a terceira de sua carreira, que já tinha um bronze e um ouro.

“Hoje de manhã eu estava fazendo um negócio do trabalho. Depois do almoço também. E aí vim competir. Uma parte de uns clientes de marketing digital que tive que deixar preparada”, contra naturalmente.

O que atrapalha, claro, é ter outras obrigações além das pistas de boliche. Marcelo conta já ter trabalhado no setor farmacêutico, no de varejo e no de entretenimento. Abriu a sua própria empresa de marketing digital para ter mais flexibilidade dos horários. Trabalha com um notebook de onde quer – e muitas vezes de uma pista de boliche.

“Esses caras que estão aqui são os melhores do mundo. O atual campeão mundial nem se classificou para a final, tem ex-campeões mundiais aqui. Eles vivem do boliche, então a realidade é um pouco diferente da minha”, diz.

E a situação piorou ainda mais com o corte de verba do governo para esportes que não são olímpicos.

“Estou usando meu próprio dinheiro. Espero que o governo volte com a verba para esportes pan-americanos. Eu uso essa verba para melhorar como esportista, vou no melhor centro de treinamento do mundo, jogar torneios… A gente precisa de ajuda para se manter”, diz.

Mesmo assim, ele faz frente a todos. E até já foi campeão do Pan e quinto colocado em um Campeonato Mundial. Sonha em ser campeão do mundo e em ver o boliche entra na Olimpíada para poder ganhar também uma medalha olímpica.

“A chance é alta. Todo mundo conhece boliche no mundo. Todos os países praticamente jogam. Estão até mudando a forma de pontuação e diminuindo o tempo. Então vai mais rápido e mais fácil de entender, justamente para se enquadrar no Olimpíada”, diz.

Marcelo, porém, admite que ainda há um preconceito, com pessoas que veem o boliche como lazer – e não como um esporte. Mas garante levar todas as brincadeiras na esportiva e faz a sua parte para transformar um pouco a modalidade no Brasil.

“Tenho uma escolinha de boliche no Rio de Janeiro, com crianças. É o maior prazer do mundo, ver as crianças crescendo. É a única maneira do esporte crescer no Brasil, trabalhando a base”, conta.

Aos 31 anos de idade, ele ainda tem muito tempo para realizar seus sonhos – um jogador de boliche pode continuar jogando em alto nível até perto dos 50. E, quem sabe, poder dizer um dia que também é um esportista profissional que vive só do esporte, sem ter que trabalhar em pleno dia de competição.


ESPN

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