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23 de janeiro de 2020

TRÊS COMPETIÇÕES

Análise: Palmeiras mantém invencibilidade, mas desgaste e rodízio fazem time perder ritmo

14/07/2019 | 13h09min

Palmeiras ainda disputa três competições em 2019, tem de lidar com uma grande sequência de jogos, e por isso é natural que precise rodar o elenco em algumas oportunidades – caso do duelo deste sábado, contra o São Paulo, quando trocou cinco titulares e saiu do Morumbi com um empate por 1 a 1.

O desempenho, porém, não tem sido como o de 2018, quando o Palmeiras tinha praticamente dois times: um para a Libertadores, teoricamente titular, e outro para o Brasileiro, considerado reserva. Administrou tão bem as duas frentes que, apesar de ter sido eliminado na competição sul-americana, foi campeão nacional com alguma folga.

Em 2019, o desgaste físico e o consequente rodízio, combinados, cobram seu preço no Brasileirão. Nos dois jogos em que precisou trocar muitas peças, o Palmeiras perdeu seus únicos pontos no campeonato: empates contra o CSA, em Maceió, e o deste sábado contra o São Paulo.

Desta vez, o desgaste se deu por um único jogo: a vitória por 1 a 0 sobre o Internacional, quarta-feira, pela Copa do Brasil, que exigiu muito do time e trouxe dificuldades. Por isso, Luiz Felipe Scolari já havia adiantado que faria “cinco ou seis” trocas para sábado.

Dudu comemora gol em São Paulo x Palmeiras: 33 jogos sem perder no Brasileirão — Foto: Marcos Ribolli

Dudu comemora gol em São Paulo x Palmeiras: 33 jogos sem perder no Brasileirão — Foto: Marcos Ribolli

Felipão cumpriu seu planejamento e poupou cinco titulares: os dois zagueiros, Luan e Gustavo Gómez, e o trio de meio-campo, formado por Felipe Melo, Bruno Henrique e Lucas Lima. Mesmo para um time forte e estruturado como o Palmeiras, o efeito foi sentido.

Foi um time mais lento, com a saída de bola travada e correndo mais riscos com o rápido ataque do São Paulo. E também com mais posse de bola, o que não costuma ser bom negócio para o estilo pretendido por Felipão. No Brasileirão, tem sido assim:

  • Palmeiras com menos posse de bola: sete vitórias;
  • Palmeiras com mais posse de bola: dois empates e uma vitória.

Ao menos, a invencibilidade está mantida. Agora, são 33 jogos sem derrotas no Brasileirão, marca impressionante e que comprova a consistência da equipe. Mas, claro, há o que melhorar, principalmente quando a equipe sai atrás no placar – o Verdão nunca virou um jogo desde que Felipão voltou ao clube, em agosto de 2018.

Queda de ritmo

O Palmeiras, acostumado a alterar o time de acordo com a ocasião, demorou a se adaptar aos jogadores que entraram – até porque houve perda no poder de marcação e na saída de bola com Thiago Santos e Moisés nas vagas de Felipe Melo e Bruno Henrique.

Formação utilizada pelo Palmeiras contra o São Paulo, com cinco mudanças — Foto: GloboEsporte.com

Formação utilizada pelo Palmeiras contra o São Paulo, com cinco mudanças — Foto: GloboEsporte.com

O Palmeiras, então, não conseguiu dominar o primeiro tempo:

  • Tchê Tchê, mais avançado, causou desequilíbrio na marcação alviverde – nos primeiros lances de perigo contra o Palmeiras, sempre havia um são-paulino sobrando;
  • Sem Gustavo Gómez, houve perda também na individualidade; o gol de Pablo sai em uma antecipação a Antônio Carlos, que não estava 100% ligado no lance;
  • Preocupados com Hernanes e Tchê Tchê, Thiago Santos e Moisésmostraram muita lentidão com a bola nos pés;
  • Zé Rafael, Dudu e Scarpa pegaram pouco na bola; só Scarpa teve uma chance boa, em chute bem defendido por Tiago Volpi.
Gustavo Scarpa chuta e Tiago Volpi salva aos 23 do 1º tempo

Gustavo Scarpa chuta e Tiago Volpi salva aos 23 do 1º tempo

No segundo tempo, Felipão tentou devolver a velocidade à equipe com a entrada de Carlos Eduardo, mas ao mesmo tempo cobrou Deyverson para que ele fosse à área e deixasse de tentar ser o armador da equipe.

Esta tarefa coube a Dudu, que passou a jogar centralizado, buscando a bola e tentando construir as ações ofensivas. O Palmeiras, naturalmente, viu o São Paulo se retrair e ficou com maior posse: terminou com 58%. E trocou 275 passes certos, contra apenas 146 do rival.

Apesar das dificuldades que o time encontra quando foge de seu estilo, o Palmeiras criou chances, deu trabalho a Tiago Volpi e mereceu o gol “espírita” de Dudu, por cobertura, com colaboração de Volpi. A vitória do Santos sobre o Bahia diminuiu a distância do vice-líder do Brasileirão para três pontos. Mas, para quem ainda disputa três competições, o ponto somado é valioso.


Globo Esporte

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