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30 de March de 2020

RISCO

Defesa Civil esteve em prédio seis dias antes do imóvel desabar parcialmente, mas não interditou o edifício

03/06/2019 | 10h53min
Foto: José Leomar/SVM

Seis dias antes do desabamento parcial que forçou a evacuação de 16 famílias do condomínio Solimar Residence neste sábado (1º), no Bairro Maraponga, em Fortaleza, a Defesa Civil de Fortaleza esteve no local e constatou o risco de desabamento. Contudo, o prédio não foi interditado. O agente que fez a vistoria apenas orientou os moradores a procurarem um engenheiro. Condôminos agora questionam a conduta do órgão.

Por volta das 17h deste sábado (1º), o prédio residencial teve a estrutura danificada após colunas de sustentação romperem e o edifício cair, esmagando o térreo. Alertados por estalos, os moradores das 16 unidades deixaram o local a tempo e ninguém se feriu. De acordo com a Defesa Civil de Fortaleza e o Corpo de Bombeiros, há risco real do imóvel desabar completamente a qualquer momento. Outras 12 casas vizinhas ao edifício tiveram danos e os moradores foram evacuados. Um cachorro e duas calopsitas foram resgatados neste domingo (2).

Prédio ameaça desabar em Fortaleza

Os moradores disseram que estranharam a não intervenção imediata da Defesa Civil e questionaram o órgão, que vistoriou o edifício no últimos dias 24 e 26 de maio. “A Defesa Civil tinha vindo duas vezes. Até perguntei pra eles porque não tinham interditado a área. Na primeira vez, eles disseram que não tinha risco e na segunda vez disseram que tinha indícios que estavam abalando as estruturas. Como é que vê riscos e não interdita a área?”, questiona o coordenador de logística Roberto Patriolino.

Moradores relatam que já era possível perceber rachaduras na estrutura do edifício — Foto: José Leomar/SVM

Moradores relatam que já era possível perceber rachaduras na estrutura do edifício — Foto: José Leomar/SVM

Em nota, a Defesa Civil confirmou as visitas e o parecer. Além disso, informou que, segundo informações repassadas pelo proprietário, um engenheiro foi contratado para a elaboração de um laudo para atestar a segurança estrutural do prédio. O G1 não conseguiu contato desde o incidente com o dono do prédio, que também morava no local.

“Há um mês que o povo fala que esse prédio está desabando. A Defesa comprovou que estava com defeito, arreando. O lado de lá estava muito molhado”, relata Leonardo Rodrigues, que mora numa casa vizinha ao prédio que, juntamente com outras 11 residências, também precisou ser evacuada.

Moradora já tinha saído do prédio

A vendedora Roberta Veras contou ao G1 que há duas semanas estava morando com o filho na casa da mãe. Ela disse que estava estranhando as rachaduras e infiltrações no prédio. Segundo a moradora, pelo menos seis engenheiros afirmaram que o imóvel não apresentava risco de desabamento.

“Eu era uma das mais desconfiadas, saí logo que começaram essas histórias. Eu não confiei em nenhum. Eu, leiga, não entendo, mas quando eu via já me dava medo. Tive até pesadelo que o prédio tava caindo. Acordei desesperada e daí então comecei a ir para minha mãe e não vinha mais para cá”, contou Roberta.

Resposta

Confira a nota da Defesa Civil na Íntegra:

A Defesa Civil de Fortaleza esteve no prédio por duas vezes e, no momento em que o agente constatou risco de desabamento, orientou os moradores a buscarem o serviço de um engenheiro para que ele avaliasse a estrutura do edifício.

Segundo informações repassadas pelo proprietário, um engenheiro foi contratado para a elaboração de um laudo para atestar a segurança estrutural do prédio.

A Defesa Civil reforça que está com suas equipes de plantão, 24h, diariamente, para atender a população de Fortaleza, e que os chamados devem ser feitos através do fone 190.


G1

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