Ele é mais conhecido como Zé Lezin ou Zé Paraíba, mas seu verdadeiro nome é Nairon Barreto e ele tem incorporado em seu personagem todos os trejeitos, sotaques e a malícia do matuto paraibano.
Há quase vinte anos divertindo e provocando platéias, Zé Paraíba já conquistou o Brasil e faz sucesso de norte ao sul.
Não há quem já não tenha ouvido uma de suas piadas ou que não o reconheça. Ele já era famoso quando entrou para o quadro de artistas Rede Globo de Televisão, mas a popularidade desse pessoense cresceu ainda mais. Hoje ele faz mais shows no sul e sudeste do que no Nordeste.
Paraiba.com.br - Como é ter uma carreira nacional e ainda morar na Paraíba?
Nairon Barreto - Na verdade eu tenho um endereço onde eu recebo as minhas correspondências aqui em João Pessoa, mas um artista deve estar onde o público chama, então, as vezes, em saio daqui numa segunda-feira e só volto na outra. Se o artista quiser crescer tem que ser assim.
Paraiba.com.br - Então o Zé Lezin não seria tão importante se você ficasse só na Paraíba?
Nairon Barreto - Não seria. A base do meu trabalho foi feita na Paraíba, mas eu não acredito que um artista possa crescer ficando só no seu próprio estado. Ainda mais num estado como o nosso que tem algumas carências e não é um estado rico. Além disso, o artista precisa buscar novos horizontes, é uma forma de reconhecimento muito maior quando se faz sucesso em outros estados. Em casa, o seu amigo não sabe te criticar. É preciso ir em busca do sucesso em outros lugares para confirmar, para você ter certeza que o teu trabalho é bom.
Paraiba.com.br - Você tem uma boa relação com a Paraíba?
Nairon Barreto - A minha relação com a Paraíba é uma relação de amor. A Paraíba é a minha terra, foi aqui que eu nasci, cresci, estudei, me formei, onde eu colecionei amigos... enfim é a minha terra, eu amo isso aqui. Aqui nós temos uma cultura popular que emana das pessoas... isso é muito bom.
Paraiba.com.br - Como a cultura paraibana infuencia a nacional?
Nairon Barreto - Essa influencia existe, mas nós ainda sofremos mais influencia do que influenciamos. Boa parte dos nordestinos ainda tem preconceitos com eles próprios, acham que o que vem do sudeste é melhor. Tem gente que compra uma passagem da Itapemirim (empresa de ônibus que faz o trajeto Paraíba-São Paulo) e já sai chiando do guichê. Os nossos radialistas falam chiando como se fossem cariocas. E eu acho que o nosso sotaque, nosso jeito de falar é o nosso cartão de visitas, é através dele que nós mostramos que somos nordestinos. A cultura nordestina é muito forte e exerce influencia no Brasil todo, nós temos nordestinos em todos os lugares. Imagine se não existisse os artistas nordestinos, o país seria muito triste. Nós temos grandes artistas nas artes cênicas, artes plásticas, na música, na dança...
Paraiba.com.br - Como surgiu o seu personagem?
Nairon Barreto - O Zé Paraíba surgiu há quase vinte anos. Ele surgiu porque eu participava de um grupo de dança folclórica e nos intervalos, entre um número e outro, eu ficava no palco contando causos matutos para a platéia não ficar entediada enquanto esperava. Com o passar do tempo as pessoas foram gostando dos causos e das piadas e os intervalos foram ganhando importância e cresceu tanto que eu fiquei maior que o show de dança.
Depois disso eu comecei a me apresentar em barzinhos, como a maioria dos artistas começam, depois no teatro pelo Brasil todo e aí ganhou a dimensão que tem hoje. Eu faço mais shows fora do nordeste do que por aqui.
Paraiba.com.br - E como é trabalhar na TV?
Nairon Barreto - Quando fui trabalhar na TV meu trabalho já estava maduro e a minha maior satisfação foi a de poder trabalhar ao lado de pessoas das quais eu sempre fui fã, aliás, ainda sou, como Chico Anísio, Milanni, Orlando Dumont, Lúcio Mário e principalmente o mau amigo querido que deve estar olhando por todos os trabalhos que eu faço, Rogério Cardoso.
Paraiba.com.br - Qual é o passeio que não pode deixar de ser feito por quem vem visitar a Paraíba?
Nairon Barreto - O estado todo. A cidade de João Pessoa inteira é linda. As pessoas não podem ficar só nas praias, elas devem conhecer a riqueza arquitetônica da cidade baixa, o forte de Cabedelo, a praia do Jacaré com o Bolero de Ravel no pôr-do-sol, é emocionante ver aquele lugar cheio de turistas filmando. Além disso, as praias do litoral sul, do litoral norte, o sertão... as encostas, as praias, os acervos, os museus, as igrejas, o centro histórico de João Pessoa e os nossos artistas. Enfim, de João Pessoa a Cajazeiras tem muita coisa para se ver.
Paraiba.com.br - Como você vê o turismo na Paraíba?
Nairon Barreto - Falta um melhor aproveitamento, um plano que gerencie o turismo em todo o estado e que não permita a destruição nem essas coisas ruins que a gente vê por aí como a prostituição infantil. Acho que a gente vai caminhando. O turismo da Paraíba não é aquele “bum”. Tem muita coisa ainda para ser mostrada, nós precisamos mostrar o que a nossa terra tem. Aliás, o Brasil todo precisa mostrar isso. Nós recebemos poucos turistas ainda. Num país do tamanho do nosso, com toda essa biodiversidade... no mesmo dia tem um lugar no Brasil que neva e outro que faz um calor de 40 graus. Temos o turismo ecológico, o turismo de ciência como o Vale dos Dinossauros em Souza e a Pedra do Ingá. Falta organizar isso tudo para que isso dê certo. |