Vicente D'Paula
27 de outubro de 2003
 

O ator paraibano Vicente D'Paula está acostumado a enfrentar desafios. Certa vez, cansado de esperar por oportunidades no teatro, decidiu sozinho escrever um texto, dirigir e atuar. O espetáculo se chamou “A Trajetória de Um Anjo Morto”, adaptado da obra de Augusto dos Anjos. Vicente fez temporada em João Pessoa – nos teatros Santa Roza e Ednaldo do Egypto – e sentiu na pele o problema da falta de público da nossa cidade. Depois, seguiu para São Paulo, onde participou de um Festival Nacional de Teatro e foi premiado com o seu espetáculo.

De volta a Paraíba, o ator passou a desenvolver outra atividade profissional: mantém um escritório de confecção de prótese dentária. Mas, a pulsação do ator permanece em seu peito. Agora, Vicente voltou a dirigir e atuar no teatro. É o diretor de espetáculo infantil “O Tico-Tico Cantador”, que tem texto de Carlos Cartaxo. Em entrevista ao portal www.paraiba.com.br, Vicente D´Paula fala sobre seu trabalho e o novo desafio no teatro infantil.

Paraiba.com.br – Você montou sozinho um espetáculo de teatro, onde dirigia e atuava. É muito difícil trabalhar em grupo na Paraíba?
Encenação (Vicente) – É. O problema é que as pessoas se fecham em seus próprios grupos e não se abre a possibilidade para os novos atores. Fiquei muito tempo esperando uma oportunidade no teatro e, por isso, decidi partir para montar meu próprio espetáculo.

Paraiba.com.br – Valeu a pena fazer este sacrifício?
Encenação (Vicente) – Valeu demais. Enquanto não deram muito valor aqui em João Pessoa, fui para São Paulo, onde morei por um tempo e fiz apresentações por lá. Uma diretora viu meu trabalho e me inscreveu num Festival de Monólogos. Foi aí que eu vi que todo o esforço valeu a pena. Nesse Festival recebi o conhecimento e fui premiado com o meu espetáculo.

Paraiba.com.br – Como você começou a trabalhar com teatro?
Encenação (Vicente) – Comecei na minha adolescência. Eu trabalhava em um projeto interessante do saudoso diretor Leonardo Nóbrega, que consistia em levar e teatro para o presídio do Róger em João Pessoa. Isso foi na década de 80. Depois, passei a fazer parte do Grupo Tenda, com Geraldo Jorge e o próprio Leonardo. Aí, eu parei um tempo com o teatro, mas nunca mais deixei de gostar da arte de representar. É como um vírus que a gente pega e fica para sempre.

Paraiba.com.br – E a criação da Companhia de Teatro Encenação, como aconteceu?
Encenação (Vicente) – Aconteceu de forma natural. Eu decidi montar outro espetáculo. Dessa vez, foi um trabalho infantil. Se chama “O Tico-tico Cantador”. Somos três atores em cena: eu, Augusto Magalhães e Evandro de Oliveira. A parte técnica, inclusive com confecção de material, tem a mão do nosso amigo Edinaldo Teixeira. Nós precisávamos de um nome para o grupo que estava sendo formado naquele momento e aí surgiu a criação da Cia. De Teatro Encenação. Pretendemos partir no início do próximo ano para a montagem de um espetáculo adulto.

Paraiba.com.br – Quando vai estrear o Tico-tico Cantador?
Encenação (Vicente) – Vamos estrear em novembro, no Teatro Lima Penante. Depois, vamos fazer dois fins-de-semana no Teatro Ednaldo do Egypto em dezembro.

 
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