Lourdes Sarmento
06 de setembro de 2004
 

Paraiba.com.br - Por que a senhora quer ser prefeita de João Pessoa?
Lourdes Sarmento - Para nós, todas as questões que envolvem as necessidades da população, incluindo as municipais, devem estar inseridas na perspectiva geral da luta de classe, ou seja, dos trabalhadores contra a burguesia. Nossa tarefa, à frente de um partido operário e verdadeiramente dos trabalhadores, é colocar a prefeitura, as administrações municipais a serviço dos interesses dos trabalhadores contra a burguesia. Seria inverter a atual forma de governar a prefeitura.

A base do nosso governo é o programa de reivindicações vitais da classe operária e das massas populares da cidade e do campo que defendemos todos os dias nas lutas das massas. As administrações seriam controladas através dos conselhos operários e populares.

Paraiba.com.br - Que ponto do seu programa de governo a senhora elegeria como prioritário?
Lourdes Sarmento - As eleições, para nós, são o espaço onde debatemos o problema do operário, da mulher, do negro e da juventude. E este espaço não deve se limitar ao mero debate administração do município. Mas sim discutir e apresentar as reais necessidades da população. Deste ponto de vista, dentre todas as propostas que temos para os mais variados segmentos da sociedade, a questão salarial e do emprego é, neste momento o principal ponto de discussão.

Para acabarmos com o desemprego é necessário: 1 - a imediata redução da jornada de trabalho para 35:00 horas semanais, em todos os ramos da produção, sem redução de salários, com tempo máximo de 08:00 horas de trabalho por dia; 2 - escala móvel de horas de trabalho, de modo a repartir o trabalho existente entre todos; 3 - não a flexibilização da jornada de trabalho; 4 - a) não ao subsídio capitalista, b) plano de obras públicas, c) reforma agrária com expropriação do latifúndio e, d) estatização dos bancos e de todos os empreendimentos falidos.

Paraiba.com.br - Quais as suas propostas para Saúde?
Lourdes Sarmento - A estatização de todo o sistema de saúde, com o monopólio estatal do sistema de saúde pública, nenhuma verba pública para os setores privados a saúde, concurso pública para melhorar os serviços da saúde, salário mínimo vital para os trabalhadores(as) do sistema de saúde, como piso salarial. Trabalhar a saúde com perspectiva preventiva. Incluir as questões femininas como sendo especiais.

Paraiba.com.br - E quanto ao Transporte?
Lourdes Sarmento - 1 - Defendemos o fim do monopólio capitalista sobre os transportes públicos urbanos; estatização das grandes companhias de transporte; completa liberdade para os perueiros ou transporte alternativo; 2 - passe livre para os estudantes e trabalhadores desempregados.

Paraiba.com.br - O que diz seu programa no tocante à Educação?
Lourdes Sarmento - O sistema educacional está totalmente voltado para atender os interesses dos tubarões do ensino privado. As escolas públicas sucateadas; as salas de aula superlotadas; profissionais de educação mal remunerados e tendo que trabalhar três expedientes para poder sobreviver. As verbas destinadas à educação pública são mal aplicadas ou desviadas para o setor privado. O desenvolvimento escolar do município de João Pessoa está entre os piores do Brasil. O atual prefeito está há 8 anos no poder e não realizou nenhum concurso público para atender as necessidades da educação, o que contribui mais ainda para o caos em que se encontra.

O PCO defende e estatização da educação com a formação de um sistema único estatal de ensino básico, com salário mínimo vital e móvel como piso para os trabalhadores de educação e concurso público para suprir as vagas existentes.

Paraiba.com.br - O que a senhora pretende fazer quanto ao Turismo?
Lourdes Sarmento - O desenvolvimento econômico e social do município de João Pessoa só ocorrerar através do setor industrial. O turismo, sob a administração dos partidos e dos governos de direita e de esquerda contra a população, garante apenas o lucro das grandes redes hoteleiras, em detrimento da cultura popular, além de ser um turismo sem a mínima preocupação com a preservação do meio ambiente e desencadeia o aumento da prostituição infanto juvenil. Ao invés de garantir o lucro para esse setor o governo municipal teria que garantir e estimular a criatividade, a cultura popular a os artesãos da terra. Toda produção popular deve ser organizada através de sistema de cooperativas.

Paraiba.com.br - Quais as propostas do PCO para o Meio Ambiente?
Lourdes Sarmento - A questão ambiental também é uma questão social. Da mesma forma que os grandes grupos capitalistas detêm o poder político e econômico também controlam o meio ambiente. E na preocupação apenas com o lucro eles vão desrespeitando todas as leis de proteção ambiental, seja despejando o dejeto das indústrias diretamente no rio, seja desmatando para se apropriar da madeira e do solo antes ocupado com a vegetação. Por outro lado a população que já não tem acesso a saúde e educação com qualidade, sem salário digno, sem emprego e sem moradia, também não direito ao meio ambiente.

O partidos burgueses que governam os municípios não dão respostas nem as necessidades mais básicas como: saneamento básico e coleta seletiva do lixo.

Só com uma prefeitura a serviço dos trabalhadores e da população explorada é que se pode ter, de fato, uma melhoria nas condições ambientais através do desenvolvimento social e cultural da população. É necessário resolver o problema do desemprego, do salário, da falta de moradia, da saúde e da educação para que os problemas ambientais sejam também solucionados.

Paraiba.com.br - Qual seria o tratamento de uma gestão da senhora para a Cultura?
Lourdes Sarmento - Primeiro garantir a democratização da cultura: criar condições para o desenvolvimento cultural nos bairros periféricos e operários, sob o controle dos conselhos populares; segundo garantir o acesso principalmente da juventude nos teatros e cinemas. Garantir bibliotecas nos bairros e no interior das escolas públicas.

A cultura popular deve ser a nossa prioridade.

Paraiba.com.br - Quais suas propostas para Infra-estrutura?
Lourdes Sarmento - As administrações públicas de uma forma geral devem estar a serviço da população. Como a esmagadora maioria da população é formada de trabalhadores as prefeituras municipais também devem estar a serviço dos interesses dos trabalhadores contra a burguesia. Neste sentido faz-se necessária a imediata suspensão de todas as obras em curso realizadas a partir das empreiteiras e auditoria para verificar se os interesses populares foram lesados; orçamento municipal para as necessidades da maioria da população, particularmente dos bairros operários e da periferia.

Paraiba.com.br - A senhora acha que o discurso da esquerda radical não caiu de moda?
Lourdes Sarmento - Não sei que tipo de discurso é esse ou a que modismo você se refere. O diletantismo, o academicismo e o sectarismo não condizem com os métodos de um programa revolucionário. A Burguesia é radical na defesa de seus interesses, extermina uma população, promove guerras, se for o caso, para garantir seu domínio. Produz teorias contra-revolucionárias e a população absorve como se fosse uma questão natural. A própria pergunta, da forma em que foi formulada é um sinal dessa situação.

Nosso partido e nossa teoria científica foi fruto da existência do domínio burguês enquanto classe social que fez revolução para obter esse domínio. As teorias de ambas as classes sociais serão superadas diante de outra forma de organização social. E novas teorias certamente surgirão para explicar a sociedade.

Infelizmente estamos a mais de dois séculos sob a égide da Burguesia. Essa é a sociedade moderna em que vivemos. Aí eu pergunto, isso é moda ou é realidade?

 
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