A enfermeira paraibana Géris Leite, 37 anos, queixou-se de uma manipulação de suas imagens durante a permanência no programa Big Brother Brasil 4, da Rede Globo de Televisão. Segundo ela, a edição de imagens a caracterizou de uma forma diferente da que agia na realidade. Os cortes de cenas teriam impedido, segundo a paraibana, que o público compreendesse sua personalidade, reduzindo-a a uma participante "venenosa". Tanto que até ganhou uma vinheta. Quando a paraibana criticava um companheiro de programa, o público ouvia um sibilar de cobra.
Na entrevista ao Paraiba.com.br, Géris também criticou a postura do apresentar Fausto Silva. Durante o Domingão do Faustão do dia 29, o apresentador, assim como o colega André Marques, fizeram da enfermeira que sonha em ser cantora um motivo de riso. O fato rendeu, inclusive, um voto de desagravo encaminhado pelo vereador Miguel Arcanjo (PL-João Pessoa).
Nascida em Cajazeiras, Géris Leite é enfermeira formada pela UFPB, mas mora atualmente no interior baiano de Barreiras. Simpática, ela não esconde o sonho de tornar-se cantora e revela, na entrevista, ter recebido propostas de três gravadoras.
Paraiba.com.br- Como você analisa sua passagem pelo BBB4?
Géris- Quando eu entrei no programa eu sabia que eles poderiam manipular a minha imagem, mas eles fizeram cortes, criaram para mim uns apelidos como "amiga da onça", "cobra". Eu fui para o Big Brother Brasil para me divertir, mostrar a minha voz, mas eles manipularam. Eu sabia que a Globo utilizava esta manipulação para escolher quem ganharia os R$ 500 mil, mas estava lá para aproveitar a chance de ser nacionalmente conhecida.
Paraiba.com.br- Você acha que foi prejudicada?
Géris- Eu estava jogando bem, ninguém me indicava, mas depois desta manipulação, de ser mostrada como falsa, que não sou, acabei no paredão.
Paraiba.com.br- Houve preconceito pelo fato de você ser nordestina ou, mais especificamente, por ser paraibana?
Géris- Senti isso em conversas com Tatiana e Eduardo dentro da Casa e me irritei com ambos. Eduardo disse em tom de ironia que era incrível uma paraibana estar no BBB. Eles não sabem do potencial dos paraibanos e nem conhecem, por exemplo, o nível de respeitabilidade que conseguimos exportando tecnologia...
Paraiba.com.br- Para quem você está torcendo no BBB4?
Géris- Florence Nightingale, a fundadora da Enfermagem, sempre esteve do lado dos pobres. Eu estava ao lado de Cida, Thiago, Solange e Juliana, apesar dela ser, eu acho, quem mais tem grana ali dentro. Mas, Ju é uma pessoa legal. Em resumo, eu acho que as pessoas que não tiveram oportunidade na vida, têm que aproveitar o programa. Cida, Thiago e Sol não estudaram tanto quanto deveriam. Eles tiveram que trabalhar. Acredito que o programa pode dar a eles uma outra chance na vida.
Paraiba.com.br- Traduzindo, você torce por quem?
Géris- (Risos) Cida. Ou Thiago. Mas, se Juliana ganhar fico muito alegre, também. Eu votei nela no primeiro paredão porque não achei legal ela entregar o plano das mulheres aos homens. A força só existe se as mulheres estiverem unidas. Mas, este fato foi superado e ela é minha amiga.
Paraiba.com.br- Na Paraíba, a sua indicação para o paredão causou uma mobilização. Em Cajazeiras, as rádios pediam às pessoas que votassem em Solange e mantivessem a paraibana no programa. Como você recebeu esta manifestação?
Géris- Desde que saí do programa tenho levado uma vida muito corrida. Agradeci a muitas pessoas. Soube das rádios de Cajazeiras e queria agradecer a cada uma delas. Eu procuro encontrar tempo para atender às pessoas que me ligam, especialmente se são de minha terra, a Paraíba. Amo muito meu Estado e pretendo estar aí em breve.
Paraiba.com.br- A visita já tem data marcada?
Géris- Estarei em Cajazeiras no dia 11 ou 12 de março. Em João Pessoa, estarei no dia 13, para a formatura de minha irmã, Gicélia. Ela terminou Medicina e a festa será no Paço dos Leões.
Paraiba.com.br- Como sua vida mudou desde a participação no Big Brother Brasil?
Géris- Ah, tem sido uma correria grande. Tenho sido chamada para gravar comerciais e recebi três propostas de gravadoras para o disco. Aliás, recebi convites de várias partes do Brasil, mas, a maioria quer estipular lucros de 70% sobre minha imagem e isso eu não concordo. Prefiro estudar com atenção os contratos para não me arrepender depois. Não tenho pressa. Vou escolher o que for melhor.
Paraiba.com.br- O futuro de Géris então é a carreira artística? vai deixar a Enfermagem?
Géris- Não. Eu pretendo conciliar as duas atividades. Sei que vai ser difícil, mas quando chegar a hora de escolher por um dos dois, vou seguir como cantora. Para enfermeira não falta emprego e eu jamais vou deixar de ser enfermeira.
Paraiba.com.br- Você continuará morando na Bahia?
Géris- Sim. Tenho uma vida construída aqui: um emprego tranqüilo, amigos, um relacionamento...
Paraiba.com.br- Um noivo?
Géris- É. Tenho um noivo aqui. Não é aquele tipo de relacionamento de aliança, mas temos um compromisso sério e uma relação estável. [o noivo de Géris é Cezar Magalhães Cabral]. Não estamos pensando em casamento, de toda forma.
Paraiba.com.br- Para finalizar, um caso polêmico. Sua ida ao Domingão do Faustão repercutiu muito na Paraíba. O público acredita que você foi discriminada. Houve um vereador que até apresentou um voto de desagravo na Câmara de João Pessoa pelo tratamento que Fausto Silva dispensou a você. Você ficou chateada com isso?
Géris- Faustão não gosta do Big Brother Brasil e não faz questão de esconder isso. Ele trata mal os participantes do programa que vão ao Domingão. A produção acertou a ida e eu fui. Queria aparecer nacionalmente, aproveitar o lado bom da exposição, mas ele fez uma chacota por causa do termo "superpobrinhos" [como ficaram conhecidos os amigos de Géris: Cida, Thiago e Sol, por explicarem ter vindo de origem humilde]. Eu gosto de todos, estou do lado dos superpobrinhos mesmo. Eles não tiveram sequer condições de estudar. Eu me senti ofendida, mas procurei não dar uma resposta no mesmo nível dele. Agradeço ao vereador pelo voto de desagravo. Faustão foi grosseiro, ficou me interrompendo. Ainda bem que alguém saiu em minha defesa. Eu fui chamada para cantar três músicas e não cheguei sequer a terminar uma.
Queria deixar bem claro que não sou uma coitadinha e nem quero que as pessoas pensem isso de mim. Sou uma profissional inteligente, sei me expressar, estudei, e, levando em consideração minha origem, sou vitoriosa, já. Sinto pelo fato de o Brasil não ter visto a realidade e terem me reduzido a um estereótipo. Quando eu falei com Dudu sobre ter votado nele ou não, eu disse que quando ele saísse, ele veria quem tinha votado. A Globo não mostrou isso. |