As Parêa
04 de novembro de 2003
 

A banda existe há 4 anos e há 3 mantém a mesma formação. Eles são Mani Carneiro, voz e violão, Cristiano Oliveira, viola, violão e guitarra, Lúcio César no baixo, Ely Pôrto, Bruno Carneiro e Dao Zapata na percussão.

Eles não sabem definir, nem querem, a que estilo pertence suas músicas. Fazem questão de deixar claro que representam várias vertentes da música e cultura em geral nordestinos. Segundo Mani Carneiro, a proposta não é ser performático, mas as músicas são executadas com tanta alegria que nem eles, nem o público conseguem ficar parados.

Apesar de haver três pernambucanos no grupo, todos moravam em João Pessoa até o mês de julho quando mudaram para o Rio de Janeiro. O Paraiba.com.br conversou com o vocalista da banda e descobriu mais coisas.

Paraiba.com.br - Porque "As Parêa"?
Mani Carneiro - Parêa (na verdade pareia), segundo o dicionário, é sinônimo de par e na gíria popular significa parceiro, compadre, "chegado"... Nós da banda somos todos "parêas" uns dos outros.

Paraiba.com.br - Desde quando vocês estão tocando juntos?
Mani Carneiro - A banda existe há quatro anos e nos últimos três tem a mesma formação.

Paraiba.com.br - Como é tocar em outros estados?
Mani Carneiro - No nordeste é sempre mais fácil. Quando a gente toca o pessoal já se sente mais em casa. O público reconhece o som, já estão mais ligados a esta cultura, que aliás passou por uma explosão do início dos anos 90 para cá. No sudeste, cada vez que chega uma coisa nova, um estilo ou grupo novo nordestino, o pessoal fica meio desconfiado. Mas logo que eles percebem que nós somos profissionais que podemos ter o nosso espaço, eles relaxam e acabam ficando maravilhados. Parece que os nordestinos têm uma ginga, uma maneira diferente de lidar com a arte que acaba conquistando. Nós estamos sendo bem recebidos.

Paraiba.com.br - Onde vocês estão morando?
Mani Carneiro - Nós estamos morando no Rio de Janeiro desde julho. Essa mudança foi necessária. Como músicos, nós queremos conquistar público, queremos ser ouvidos por quanto mais gente melhor e o sudeste ainda é o centro dos negócios nessa área.

Paraiba.com.br - Como está sendo morar lá?
Mani Carneiro - Deixar a Paraíba é difícil mas encorajador, significa partir para coisas novas, abrir caminho para outro mercado. O Brasil é muito grande e para quem vive só de música não dá para sobreviver só no teu estado. O Rio de Janeiro é um ponto estratégico que leva a Minas Gerais, São Paulo...

Paraiba.com.br - Que programas não deixam de ser feitos quando vocês voltam à Paraíba?
Mani Carneiro - Bom é rever os amigos na Feirinha de Tambaú, dar um mergulho nas praias do Bessa, passear em Manaíra e ir ver o pôr-do-sol na Praia do Jacaré

Paraiba.com.br - Como você vê a produção musical paraibana?
Mani Carneiro - Se o Brasil perdesse a música nordestina, seria o mesmo que amputar as duas pernas da cultura brasileira. A influência negra arábica e moura é tão forte misturada a uma cultura européia e se tem um lugar onde essa mistura acontece é o nordeste. A Paraíba vai sempre ser um celeiro musical; Orquestra Tabajara, Sivuca, Jackson do Pandeiro, Chico César, Escurinho, Totonho e os Cabra, Jaguaribe Carne. É referência para a música brasileira e até mundial.

 
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