As Bastianas
29 de janeiro de 2004
 

A banda forrozeira "As Bastianas" esteve em João Pessoa na primeira quinzena de janeiro para um show com Dominguinhos no Summer Beach, em Intermares.

A sanfoneira Angélica Lacerda e a baixista Sharon Ducôco, falaram ao Paraiba.com.br da expectativa para o segundo CD e revelaram a insatisfação com a gravadora à qual pertenceram. As moças reclamaram "falta de transparência". Confira a entrevista.

Paraiba.com.br - Como é o show que vocês estão apresentando?
Angélica Lacerda - Estamos montando um show inédito, mas não conseguimos trazê-lo à Paraíba ainda. Nele, executamos as músicas do CD "Chama Pra Dançar", fazemos uma homenagem à nossa terra, com "Paraíba", e voltamos a tocar côco e outros ritmos nordestinos. Estamos mostrando o xote e o xaxado nos outros Estados.
Sharon Ducôco - A primeira música do show é uma composição instrumental nossa e tenta passar a idéia de uma viagem de trem de João Pessoa para Cabedelo.
Angélica - Fazemos homenagens a Sivuca, Luiz Gonzaga e Dominguinhos, na mesma música.

Paraiba.com.br - Como aconteceu essa aproximação entre as Bastianas e Dominguinhos?
Angélica - Nós deixamos a Paraíba e fomos para São Paulo em 2001. Estávamos no estúdio de uma Tv do interior paulista quando conhecemos Dominguinhos. Ele gostou da nossa proposta, achou interessante o fato de ser uma banda nordestina e feminina e ficamos amigos. Ele aposta até hoje no nosso talento como musicistas, assim como em nosso ideal.

Paraiba.com.br - O trabalho de vocês alcançou uma repercussão nacional. As Bastianas foram entrevistadas no "Dia de Banda" do Jornal Hoje da Rede Globo, por exemplo, e o grupo faz muitos shows pelo Brasil afora. Qual o balanço que vocês fazem desde a saída da Paraíba até hoje?
Angélica - Positivo. Quando chegamos em São Paulo participamos de um festival e tivemos nossa música classificada. Gravamos nosso primeiro CD sem cair na armadilha das gravadoras...

Paraiba.com.br - É verdade que vocês receberam uma série de propostas para mudar o perfil do grupo?
Angélica - É. Queriam que a gente mudasse tudo. Desde a roupa, que teria de ser bem curta, mostrando o bumbum, até colocar mais músicos, uma banda de apoio, diziam que iríamos nos cansar. Também argumentaram que o repertório teria que mudar, gravando músicas de outras pessoas. Não aceitamos nada disso. Estamos sem gravadora, atualmente, e vamos fazer um segundo CD de forma independente. Dificilmente, a indústria fonográfica aposta no novo. Ela quer repetir uma fórmula e não vamos ceder a isto.
Sharon Ducôco - Voltando à pergunta anterior, sobre nossa mudança para Campinas, ela foi muito promissora. Ficamos tristes de dizer, mas o artista paraibano não é valorizado. É preciso sair para conseguir reconhecimento. Nós tivemos a alegria de conhecer Dominguinhos e tocar com ele, além de outros artistas. Melhoramos muito profissionalmente.

Paraiba.com.br - Vocês já sentiram preconceito por serem nordestinas?
Sharon - Por sermos nordestinas, não. A Paraíba tem uma fama de bons músicos. Mas, os homens demonstram preconceito em relação ao fato de sermos mulheres. Houve uma ocasião em que um músico de determinada banda perguntou se não existia um baixista de verdade nas Bastianas [Elma Virgínia, ou Sharon Ducôco toca baixo].

Paraiba.com.br - Quantos discos vocês venderam de "Chama Pra Dançar"?
Angélica - O último balanço que temos dá conta de 10 mil, mas sabemos que o CD vendeu bem mais que isso. Não sabemos quantos foram. Em São Paulo são vendidas muitas cópias piratas.

Paraiba.com.br - A saída do grupo da gravadora anterior tem a ver com este descontrole nas vendas?
Angélica - Tem. A gravadora não tem prestou contas. O trabalho deles não foi transparente e não atingiu a meta que a estávamos esperando. Saímos no prejuízo, mas estamos selecionando o repertório e vamos partir para gravar um novo CD. Ainda estamos excursionando com o show, mas esperamos que o novo álbum possa estar pronto até o final deste ano.

Paraiba.com.br - Vão gravar em Campinas?
Angélica - Ainda não escolhemos o estúdio.

Paraiba.com.br - Todas as composições serão das Bastianas?
Angélica - Vai ser um processo parecido com o do primeiro disco. Serão músicas nossas e também de compositores paraibanos. Estamos procurando novos compositores paraibanos. Quem estiver interessado, pode procurar a gente. Depois que aparecemos na Globo, passamos a receber muitas composições.

Paraiba.com.br - Como as Bastianas se reuniram? como decidiram formar o grupo?
Angélica - Foi em 1999. Todas as integrantes estudavam na UFPB e tinham em comum a Música. Nos reunimos, formamos o grupo, gostamos e apresentamos o trabalho ao público, que também aprovou. Todas as meninas já tocavam instrumentos. Eu nunca havia tocado sanfona, mas aprendi para permanecer no grupo. Era percussionista, mas tive que mudar porque não são muitas as mulheres sanfoneiras.

 
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