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11 de dezembro de 2019

Novo disco de Chico César é ‘bacurálico’ e provoca nossos instintos primitivos

19/11/2019 | 10h58min

Intenso. Chico César é intenso. E, mais que sempre, colocou em um disco essa intensidade. ‘O amor é um ato revolucionário’ é um disco profundamente político, abordando ainda comportamento ditados pela Internet e direitos sociais de minorias. Treze faixas (13!!!) a serviço de temáticas contemporâneas e que levam a um debate muito necessário. Treze faixas assinadas pelo próprio Chico. Todas em tom de protesto e reflexão.

O disco – gravado entre abril e junho deste ano, nos estúdios Gargolândia (SP), Casa do Mato (RJ), Space Blues (SP) e Etéreo das Recordações de Chita (SP) – ainda tem na direção artística o também paraibano Helinho Medeiros, pianista e acordeonista da banda de Chico. Álbum é todo produzido por André Kbelo Sangia.

Exceções são as faixas ‘History’ (produzida e arranjada por Márcio Arantes), ‘Pedrada’ (produzida e arranjada por Eduardo Bid) e ‘Eu Quero Quebrar’, que (além da leitura de Chico e banda) ganhou uma versão bônus produzida por André Abujamra (parceiro de Chico desde o CD ‘Aos vivos’, na década de 1990).

A adolescente paraibana Agnes Nunes é uma das convidadas do disco (ela divide com Chico os vocais em ‘De peito aberto’). Interessante levar em conta que Agnes – que já havia caído nas graças de Pabllo Vittar e Alok – é um fenômeno das redes sociais… A lista tem ainda a multitudinária pernambucana Flaira Ferro (em ‘Cruviana’) e o guitarrista paulistano Luiz Carlini (na música ‘O amor é um ato revolucionário’).

Quase 25 anos depois do lançamento do CD ‘Aos vivos’ e depois de ganhar no ano passado o Prêmio da Música Brasileira como melhor álbum pop com o disco ‘Estado de Poesia – Ao Vivo’, Chico César segue com ‘O amor é um ato revolucionário’, nono álbum de inéditas. As 13 faixas de ‘O amor é um ato revolucionário”, letra e música, são assinadas apenas por Chico César.

Gravado entre abril e junho deste ano, nos estúdios Gargolândia (SP), Casa do Mato (RJ), Space Blues (SP) e Etéreo das Recordações de Chita (SP), o álbum tem produção de André Kbelo e do próprio Chico César, que assina a direção com o também paraibano Helinho Medeiros, pianista de sua banda.

Criada pelo paraibano Daniel Vincent, a capa do disco é um espetáculo à parte. Ela mostra o artista em foto de José de Holanda com figurino de Fernanda Yamamoto. Vincent já havia feito a capa do CD/DVD ‘Estado de Poesia Ao Vivo’, de Chico. São de Vincent as capas do CD ‘Vieira – Parahyba vive’ e do ‘Music From Paraíba – Volume 3’.

‘Eu quero quebrar’ (que tem uma faixa bônus), ‘Pedrada’ e a faixa-título são os destaques do novo disco de Chico. São canções que despertam nossos instintos primitivos e nos fazem refletir sobre a necessidade de resistir e reagir diante da opressão. São canções que emocionam. São canções que reforçam o artista como ser político em seu contexto social.

O novo disco de Chico César é um manifesto contra o retrocesso e contra a moral hipócrita. Um disco para pensarmos sobre a modernidade líquida e sobre a superficialidade dos relacionamentos nas redes sociais. Um disco para irmos todos às ruas em busca de justiça. Um disco de resistência, para ouvir e cantar de punho erguido!

Tem um quê de revolta o ‘O amor é um ato revolucionário’. Faz lembrar, em algumas faixas, a reação dos moradores de ‘Bacurau’, filme de Kléber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, premiado no Festival de Cannes. Uma das ideias do novo disco do paraibano Chico César é essa: reaja! Porque Chico é um amor, mas não é besta…

Um trecho de ‘Pedrada’ diz o seguinte: “Queima, Senhor, todo homem que oprime outro homem por ganância e por dinheiro. / Faz da nossa revolta teu incêndio. / Cada um de nós tua fagulha, Senhor, e queima Babilônia! / Fogo Jah, fogo Jah!”. Destaque, ainda, para ‘Like’ e ‘Luzia Negra’. Ouça sem parar.

Jãmarrí Nogueira é professor, radialista e jornalista desde 1995. Já atuou nos jornais O Norte, A União e Correio da Paraíba (também como freelancer de O Globo e O Estado de S. Paulo), além das rádios CBN, Tabajara, Jovem Pan e Cabo Branco FM e dos portais MaisPB e Tambaú 247. Também atuou como professor da graduação em Jornalismo nas Faculdades Integradas de Patos. Atualmente, é chefe da Assessoria de Imprensa da Fundação Espaço Cultural da Paraíba (Funesc).

Jãmarrí Nogueira