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22 de novembro de 2019

‘Coringa’ pode até não ser um bom filme, mas Joaquin Phoenix é extraordinário no longa

25/10/2019 | 11h09min

Nos anos 1960, o ator Cesar Romero deu vida a um Coringa bem caricato e infantilizado em uma série televisiva. Nessa época, o vilão surgido em 1940 já era considerado o maior inimigo do Batman.

Em 1989, Jack Nicholson – talentosamente – nos mostrou a todos um vilão bonachão, mais sombrio e desprovido de sentimentos de piedade, no filme ‘Batman’. O riso debochado e a falta de empatia eram assustadores.

Mais tarde, em 2008, Heath Ledger deu ao Coringa um teor mais anarquicamente politizado em ‘O Cavaleiro das Trevas’. A atuação rendeu a Ledger o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante. Um Coringa caótico, violento e aterrorizante.

Jared Leto tatuou negativamente a imagem do Coringa ao interpretar o vilão em ‘Esquadrão Suicida’, em 2016. Uma interpretação que não o coloca entre os melhores. Esse panteão tem Jack Nicholson, Heath Ledger e – agora!!! – Joaquin Phoenix (de ‘Ela’ e ‘Gladiador’).

Em cartaz nos cinemas paraibanos, o primeiro filme tendo o Coringa como protagonista pode até não ser considerado bom por alguns espectadores, mas nos mostra um Phoenix espetacular, com uma atuação digna de aplausos.

O filme dirigido por Todd Phillips (o mesmo de ‘Se beber não case’) mostra a história da origem do vilão. Phoenix interpreta Arthur Fleck, homem com evidentes problemas mentais e que pode ser contabilizado como mais um oprimido pela sociedade.

Fracassado e injustiçado, ele enlouquece (ainda mais!) e se transforma no criminoso conhecido como Coringa. O filme tem influências claras do HQ ‘A piada mortal’ e também do filme ‘O homem que ri’, de 1928. Também são perceptíveis traços de ‘Taxi Driver’ e ‘V de vingança’.

O longa de Phillips é muito violento e profundamente assustador. O cenário é a cidade de Gotham dos anos 1980 (antes do surgimento de Batman), em meio a uma devastadora crise econômica e o caos social estabelecido.
A inocência da personagem interpretada por Phoenix remete a ‘O homem que ri’. A violência psicopata, à HQ ‘A piada mortal’. Vinte quilos mais magro e profundamente convincente no papel, Phoenix faz de ‘Coringa’ um filme imperdível.

Sim. Porque é possível ter ressalvas com relação ao roteiro desse longa produzido por Bradley Cooper, mas é impossível (!!!) encontrar falhas na atuação de Phoenix. Ponto ainda para a participação de Robert De Niro como apresentador Murray Franklin.

Não à toa, ‘Coringa’ foi destaque no Festival de Veneza e deve receber pelo menos três indicações ao Oscar (incluindo Melhor Ator para Joaquin Phoenix). É extraordinário até mesmo para quem não é fã das histórias da DC.

‘Coringa’ é um filme caótico, que mostra como a sociedade pode nos enlouquecer. Também mostra o que pode pode acontecer quando o povo se revolta contra a opressão e contra o fascismo. ‘Coringa’ é um filme muito bom (mesmo que você não seja fã de HQ). Mais uma vez, imperdível!

Jãmarrí Nogueira é professor, radialista e jornalista desde 1995. Já atuou nos jornais O Norte, A União e Correio da Paraíba (também como freelancer de O Globo e O Estado de S. Paulo), além das rádios CBN, Tabajara, Jovem Pan e Cabo Branco FM e dos portais MaisPB e Tambaú 247. Também atuou como professor da graduação em Jornalismo nas Faculdades Integradas de Patos. Atualmente, é chefe da Assessoria de Imprensa da Fundação Espaço Cultural da Paraíba (Funesc).

Jãmarrí Nogueira