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23 de outubro de 2019

ASSUSTADOR

‘Achavam que era história de pescador’, diz homem que filmou anaconda na Amazônia

10/10/2019 | 09h18min

sucuri filmada pelo pescador Laudelino Fernandes, de 51 anos, em Apuí, no Sul do Amazonas, não foi a primeira vista por ele. “Foram inúmeras vezes”, diz sobre o encontro com a espécie, que é conhecida como anaconda e pode chegar a 11 metros de comprimento. Mesmo sem soltar veneno ou atacar seres humanos, essas cobras causam pavor em muita gente, mas o pescador não se abala.

“Eu nem me assustei não. A gente sabe que elas vez ou outra aparecem, é só não mexer. Essa aí nem é a maior que já vimos. Quando vi, quis filmar, porque é difícil de acreditarem quando a gente conta que cruzou com uma cobra de nove metros por aí, né? Acham que é história de pescador… Na próxima a gente vai até tirar foto junto”, planeja.

Presidente da colônia dos pescadores, Lau conta que, recentemente, retirou de um balneário, com as próprias mãos, uma sucuri de aproximadamente seis metros. Em outra ocasião, em uma área de pasto, Fernandes e um grupo de pessoas encontraram outra sucuri com cerca de 11 metros de comprimento.

Como vivem? Do que se alimentam?

Na Amazônia Brasileira existem 189 espécies de cobras e a maioria não oferece risco aos seres humanos.

Especialista em biodiversidade e conservação de serpentes amazônicas da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), a bióloga Luciana Frazão explica que a sucuri possui dentição aglifa, ou seja, não apresenta dentes específicos para soltar veneno. Mas uma mordida do animal pode causar problemas de saúde.

“Apesar de elas não serem peçonhentas, ela mordem – no caso das sucuris. E a mordida de um bicho desse grande, assim como a mordida de um cachorro, também pode causar infecção, por causa das bactérias que estão presentes dentro da boca do animal (…). Caso ela morda, o que tem que fazer é lavar o local da picada com água e sabão”, disse.

Para capturar suas presas, a sucuri utiliza os músculos do próprio corpo e realiza a chamada constrição, método de imobilização que espreme a presa até afetar o fluxo sanguíneo e diminuí-la. Por conta disso, Luciana reforça a importância de manter distância do animal.

“O corpo de uma sucuri é praticamente feito só de músculos. Então, se por algum evento ou acidente esse animal entrar em combate com um ser humano, é provável que ele cause dano. A melhor forma de agir quando encontrar um animal desse, dentro do seu habitat – como foi o caso do vídeo –, é manter uma distância segura.”

“As pessoas costumam ter medo desses animais e, por isso, acabam matando ou tentam se aproximar para machucar. E nisso pode causar algum acidente”, completa a especialista.

Pescador flagra cobra anaconda gigante na floresta amazônica — Foto: Reprodução
Pescador flagra cobra anaconda gigante na floresta amazônica — Foto: Reprodução

Serpentes pela Amazônia

Em sua pesquisa de doutorado, a bióloga estimou a distribuição potencial de serpentes em toda a Amazônia. Ao todo, foram identificados 350 registros (documentos com localização geográfica e imagens) de sucuris. O número demonstra que as aparições são comuns na região do Apuí, no Sul do Amazonas.

De acordo com a bióloga, o tamanho médio de uma sucuri adulta é de quatro a oito metros, mas há registros de que o animal pode chegar a até 11 metros de comprimento.

Elas vivem por mais de 30 anos e iniciam o período de acasalamento, geralmente, entre os meses de outubro e novembro. Uma cobra pode gerar de 20 a 80 filhotes de uma só vez. Eles costumam nascer em meados de maio e são completamente independentes da mãe.


G1

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