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09 de dezembro de 2019

RELATO DE QUEM ESTAVA LÁ

PM ameaçavam quem tentava resgatar torcedor morto: ‘vou atirar na sua cara’

13/08/2019 | 06h49min

Um dos membros da Fúria Independente, torcida organizada do Botafogo-PB, que preferiu não se identificar contou a sua versão dos fatos que culminaram na morte de Eduardo Feliciano, torcedor do Botafogo-PB, em confronto com policiais militares no último domingo (12) em Ceará-Mirim, na região metropolitana de Natal-RN. O clube jogava contra o Globo pela Série C do Campeonato Brasileiro.


“Grande parte da torcida pulou o muro por que os ingressos não estavam acessíveis. Saímos de João Pessoa pensando que os ingressos estavam a R$ 40, R$20, o próprio Botafogo publicou isso no seu Instagram. Chegando lá, estava R$ 60, R$ 30, nem todos tinham esse valor, daí então alguns torcedores da nossa torcida, e também outras do Botafogo, em conversa, tivemos a ideia de pular”, contou.


De acordo com o botafoguense, Eduardo foi um dos últimos a pular e, quando tentou correr para pegar a bancada, foi surpreendido por policiais que barraram sua entrada. “Então ele, acho que com medo de apanhar, voltou. Ambos se tombaram e começou a covardia e aconteceu essa tragédia”, disse.


Após o confronto com os policiais, Feliciano foi encontrado caído.
“Todos achávamos que não fosse nada tão grave. A diretoria da torcida, que não entrou, viu ele lá ainda no chão, estava desmaiado. Depois de uns três minutos, ele abriu o olho e apagou mais uma vez. Muito mais tarde é que nós, que entramos no estádio por vaquinha, fomos saber da notícia”, lembrou.


O torcedor ainda revelou que alguns amigos tentaram se aproximar da vítima, mas acabaram sendo atingidos por balas de borracha.


“O PM atirou na perna e disse atiraria no joelho dele. Outras pessoas foram oprimidas também, não deixavam chegar perto, nem filmar. O PM falou ‘filma, miséria, que eu dou um tiro na sua cara’ para um cara lá”, narrou.
Uma perícia feita no corpo de Eduardo pelo Instituto Técnico Científico de Perícia (Itep), e divulgada na manhã desta segunda-feira (12) pela imprensa potiguar, constatou a ruptura do coração e uma hemorragia. Estes seriam os fatores que teriam provocado a sua morte.


“O laudo ainda não foi concluído, mas já podemos afirmar que a morte foi provocada pela ruptura do músculo cardíaco e a hemorragia”, informou o diretor do órgão e perito criminal, Marcos Brandão.


Yves Feitosa

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