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23 de agosto de 2019

RACISMO

Deputadas democratas chamam tuítes de Trump de ‘distração’ e pedem impeachment

16/07/2019 | 11h08min

As quatro congressistas democratas atacadas pelo presidente americano Donald Trump no Twitter se reuniram para uma entrevista coletiva em Washington nesta segunda-feira e criticaram as palavras do governante. Elas alertaram a população para “não morder a isca”, evitando o que classificaram como “uma distração” por parte do presidente dos problemas que o país enfrenta, em particular a detenção de famílias imigrantes na fronteira com o México.

Numa série de publicações no Twitter no domingo, Trump afirmou que as congressistas “progressistas” do Partido Democrata deveriam “ voltar a seus países de origem ”, sendo acusado de racismo. Ele ainda alfinetou as divisões do grupo, conhecido como “esquadrão” com a líder democrata na Câmara, Nancy Pelosi. As quatro deputadas classificaram as palavras de Trump como parte de uma “agenda de brancos nacionalistas “.

“É interessante ver mulheres congressistas ‘progressistas’ do Partido Democrata, que originalmente vêm de países cujos governos são uma completa catástrofe, os piores, os mais corruptos e mais ineptos do mundo, agora dizendo em alto e bom som ao povo dos Estados Unidos como nosso governo deve funcionar. Por que elas não voltam e ajudam a consertar os lugares falidos e infestados de crimes de onde vieram? (…)Tenho certeza de que Nancy Pelosi ficaria feliz em arrumar rapidamente suas viagens.”

Embora não tenha mencionado nomes, Trump se referia a Ayanna Pressley, Alexandria Ocasio-Cortez, Ilhan Omar e Rashida Tlaib. Em depoimentos curtos nesta segunda-feira, as quatro deputadas voltaram a levantar a possibilidade de um impeachment de Trump, eleito em 2016, e condenaram as palavras do presidente.

— Essa é uma distração que desvia a atenção de temas importantes para o povo americano — afirmou Pressley, deputada eleita por Massachusetts. — É simplesmente uma distração da atroz, caótica e corrupta cultura deste governo. Queremos nos concentrar no povo americano e é por isso que estamos aqui.

Muçulmana e alvo de Trump e de representantes republicanos por suas críticas ao governo de Israel, a congressista Ilhan Omar, de Minnesota, disse que trabalhará pelo impeachment do presidente. Ela é a única do grupo a nascer no exterior, na Somália, mas foi para os EUA ainda criança.

— Não fiz do impeachment um tema central de minha campanha ou de meu mandato — afirmou Omar. — Mas não trata de saber se ele sofrerá impeachment, mas sim de quando ele sofrerá impeachment. É hora de impedirmos que esse presidente continue a fazer chacota deste país.

O pedido de Omar foi ecoado por Rashida Tlaib, deputada filha de imigrantes palestinos e eleita pelo estado de Michigan.

— Muitos membros do Congresso pediram seu impeachment — afirmou Tlaib. — Exorto a liderança da Câmara e muitos de meus colegas a agirem.

Já Ocasio-Cortez, eleita pelo estado de Nova York, relembrou uma visita a Washington na infância e mandou uma mensagem às crianças americanas.

— Não importa o que o presidente diga, esse país pertence a vocês — disse a congressista. — Pertence a todos nós. E essa ideia foi colocada em questão. Não estou surpresa que o presidente diga que quatro congressistas devem voltar para seus países de origem, já que ele é alguém que autoriza batidas sem mandados judiciais contra milhares famílias em todo país. Ele é alguém que viola direitos humanos internacionais separando milhares de crianças de suas famílias. Mentes e líderes fracos questionam a lealdade ao país para evitar debater suas políticas.

As quatro prometeram que não seriam silenciadas, com Omar afirmando que os tuítes de Trump eram “uma agenda dos nacionalistas brancos”, um plano para jogar as pessoas umas contra as outras.

Durante os pronunciamentos, Trump — que já havia voltado ao Twitter para condenar a linguagem das congressistas, e classificá-las como “comunistas antissemitas e anti-americanas” — voltou a criticar o grupo.

“Nunca seremos um país socialista ou comunista. SE VOCÊ NÃO ESTÁ FELIZ AQUI, PODE IR EMBORA! É uma escolha somente sua. Estamos falando de amor pelos Estados Unidos. Certas pessoas ODEIAM nosso país, são anti-Israel e pró al-Qaeda”, afirmou o presidente. “Os democratas estão tentando se distanciar das quatro ‘progressistas’, mas agora se veem obrigados a abraçá-las. Isso significa que eles estão apoiando o socialismo, o ódio por Israel e pelos EUA! Nada bom para os democratas!”

Após os pronunciamentos, as congressistas responderam perguntas de repórteres. Perguntada sobre rumores de que seria uma comunista associada à al-Qaeda, Omar afirmou que todos os muçulmanos que vivem nos Estados Unidos já tiveram que lidar com acusações como essas e que “não dignificaria os comentários com uma resposta”.

Mais cedo, o líder republicano no Senado, Mitch McConnell, se esquivou de perguntas sobre os comentários de Trump, enquanto Chuck Schumer, líder da minoria democrata, afirmou que os republicanos que se alinham com Trump estão “negociando com o diabo”.

Entre os republicanos, o ex-senador Jeff Flake afirmou que os comentários do presidente foram “equivocados”, e representavam um risco de “alienar jovens e mulheres nos subúrbios que já estão desencantados com o partido”. No Twitter, o senador republicano Mitt Romney condenou as publicações de Trump:

“Os comentários do presidente foram destrutivos, preconceituosos e desagregadores. O presidente dos Estados Unidos tem a singular e nobre missão de unir o povo americano — de diferentes raças, cores e origens nacionais. Nesse aspecto, o presidente falhou miseravelmente. As pessoas podem divergir sobre política, mas dizer a cidadãos americanos para que voltam ao lugar de onde vieram é inaceitável”.


O Globo e Agências Internacionais

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