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14 de outubro de 2019

RESTRIÇÃO

‘Dificilmente teremos concurso no Brasil nos próximos poucos anos’, diz Bolsonaro

22/06/2019 | 16h37min
A declaração foi feita ao dizer que não é ele quem cria emprego, uma vez que o presidente poderia fazer isso apenas com concursos ou cargos de comissão Foto: ADRIANO MACHADO / REUTERS

O presidente Jair Bolsonaro disse neste sábado que dificilmente haverá concursospúblicos no Brasil nos “próximos poucos anos”, tendo em vista as restrições do orçamento público. O presidente afirmou que o ministro da Economia, Paulo Guedes, já decidiu restringir a realização de novos concursos para conter os gastos com pessoal do governo federal.

A declaração foi feita pelo presidente ao afirmar que não é o governo quem cria empregos. Segundo ele, o presidente poderia fazer isso apenas com concursos ou abrindo cargos comissionados na máquina pública, mas o caminho para reduzir as taxas de desemprego, afirmou, é estimulando o crescimento da economia brasileira por meio de investimentos privados. Ele citou como um fator em favor disso especialmente a aprovação da reforma da Previdência , que tramita na Câmara dos Deputados. Ele também relacionou o aumento da violência ao desemprego.

— Em todas as minhas andanças pelo mundo, parece que a palavra mágica passou a ser reforma da Previdência. Muita gente quer investir aqui. E gente de dentro do Brasil. Estão esperando isso que virou algo mágico. Se a Previdência sair, voltamos a ter confiança e os investimentos virão. E atrás disso vem emprego. Pessoal cobra de mim. Emprego não sou eu. Eu emprego quando crio cargo de comissão ou quando faço concurso — afirmou o presidente, logo após sair de uma revisão médica de rotina em Brasília.

Bolsonaro acrescentou que poucas áreas do governo estão autorizadas pelo Ministério da Economia a realizar concursos e citou as polícias Federal e Rodoviária Federal.

— Paulo Guedes decidiu basicamente que poucas áreas terão concurso, porque não tem como pagar mais. O problema é esse. A gente até gostaria em uma área ou outra. Abri uma exceção para a Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal. Fora isso, dificilmente teremos concurso no Brasil nos próximos poucos anos — disse Bolsonaro. — A partir do momento em que ninguém investe aqui, a taxa de desemprego aumenta e aí vem a violência. Tudo de ruim vem atrás.

Cobrança da bagagem

O presidente defendeu o veto à franquia de bagagem , permitindo que as empresas aéreas cobrem pelo despacho de bagagem. A proibição da cobrança havia sido inserida por parlamentares na Medida Provisória 863 que derrubou a restrição de capital estrangeiro no setor aéreo. Segundo assessores do Palácio do Planalto, o veto “se deu por razões de interesse público e violação ao devido processo legislativo”

Primeiro dia de fiscalização e cobrança de bagagens de mão que não estejam dentro dos padrões de tamanho e peso noGaleão Foto: Alexandre Cassiano / Agência O Globo
Primeiro dia de fiscalização e cobrança de bagagens de mão que não estejam dentro dos padrões de tamanho e peso noGaleão Foto: Alexandre Cassiano / Agência O Globo
Cobrança para despacho de malas de mão fora do padrão estabelecido pelas companhias aéreas começou nesta segunda-feira nos voos nacionais que saem dos aeroportos de Rio (Galeão e Santos Dumont), São Paulo (Congonhas), Porto Alegre (Salgado Filho) e Goiânia (Santa Genoveva) Foto: Alexandre Cassiano / Agência O Globo
Cobrança para despacho de malas de mão fora do padrão estabelecido pelas companhias aéreas começou nesta segunda-feira nos voos nacionais que saem dos aeroportos de Rio (Galeão e Santos Dumont), São Paulo (Congonhas), Porto Alegre (Salgado Filho) e Goiânia (Santa Genoveva) Foto: Alexandre Cassiano / Agência O Globo

— Olha só, eu cheguei em 91 aqui (a Brasília, quando foi eleito deputado federal). Naquele tempo, tinha jornais de graça dentro do avião. Até pouco tempo você tinha um almoço, um café, um lanche. Você passou a pagar. É justo quem não come nada no avião pagar por quem está comendo? Porque está tudo na passagem. Se começa a dar prejuízo, o cara aumenta a passagem. O pessoal não vai manter o preço porque na lei diz que você tem que isentar até 23 quilos. O cara aumenta a passagem. Olha só, muitas vezes você vai numa viagem curta, daqui para São Paulo, e paga R$ 500, e eu que tô do lado paguei R$ 1.500. Ninguém se preocupa com isso — afirmou Bolsonaro.

Questionado, se pensa em mandar algum projeto nesse sentido, para evitar a diferença de valores em passagens, ele disse que não, uma vez que não pode interferir no mercado dessa maneira.


O Globo

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