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15 de novembro de 2019

ABATIDO

Investigadores acusam quatro por derrubada do voo MH17 da Malasya Airlines

20/06/2019 | 11h23min

Três russos e um ucraniano responderão por homicídio na Holanda. Avião foi abatido por míssil ao sobrevoar região de conflito na Ucrânia em 2014. Tragédia deixou 298 mortos.Uma equipe internacional de investigadores acusou nesta quarta-feira (19/06) três russos e um ucraniano por envolvimento na queda do avião da Malaysia Airlines MH17 no leste da Ucrânia em 2014. Os quatro serão julgados por homicídio na Holanda em 2020.

O voo MH17 foi abatido por um míssil superfície-ar em 17 de julho de 2014
O voo MH17 foi abatido por um míssil superfície-ar em 17 de julho de 2014Foto: DW / Deutsche Welle

Em entrevista coletiva na cidade holandesa de Nieuwegein, o promotor-chefe holandês, Fred Westerbeke, e o chefe da polícia, Wilbert Paulissen, anunciaram que serão emitidas ordens de detenção internacional para os russos Sergey Dubinsky, Oleg Pulatov e Igor Girkin, e para o ucraniano Leonid Kharchenko.

“Esses suspeitos tiveram um papel importante na morte de 298 civis inocentes. Embora eles não tenham apertado o botão, nós suspeitamos que eles tiveram uma estreita cooperação para obter e posicionar o lançador de mísseis, como o objetivo de abater um avião”, ressaltou Westerbeke.

Girkin, de 48 anos, é o mais conhecido entre os quatro acusados. Ele chegou a ser ministro da Defesa da República de Donetsk, que foi autoproclamada por separatistas ucranianos. Ele nega as acusações. Dubinsky e Pulatov são ex-militares russos. Já Kharchenko era comandante militar em Donetsk na época.

Os réus serão julgados pela autoria do ataque com míssil que derrubou o voo MH17. Segundo a comissão internacional de investigação, liderada pela Holanda, o avião foi abatido por um míssil proveniente da 53ª brigada antiaérea russa, baseada em Kursk (na Rússia).

Além de apresentar a acusação, os investigadores disseram ainda que um pedido será feito à Rússia para que interrogue os suspeitos como assistência legal ao processo judicial, embora não seja possível reivindicar “a extradição dos mesmos porque a Constituição, tanto da Rússia como da Ucrânia, proíbe a entrega de seus cidadãos” a outros países.

Os acusados poderão ser julgados à revelia porque não é esperado que a Rússia entregue os suspeitos. Autoridades holandesas disseram que Moscou não cooperou com o inquérito. Holanda e Austrália responsabilizaram formalmente ainda o governo russo pela queda do avião porque a brigada do país “facilitou” o sistema que lançou o míssil BUK que provocou essa tragédia.

O Ministério russo do Exterior contestou o resultado da investigação e afirmou que ela foi destinada a prejudicar a reputação de Moscou. “Mais uma vez acusações absolutamente infundadas estão sendo feitas contra o lado russo com o objetivo de desacreditar a Rússia aos olhos da comunidade internacional”, disse em nota.

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, parabenizou o trabalho dos investigadores e afirmou que espera que os acusados sejam julgados.

Em 17 de julho de 2014, o voo MH17 da Malaysia Airlines entre Amsterdã e Kuala Lumpur foi derrubado no leste da Ucrânia, zona de conflito armado entre o exército do país e os separatistas pró-Rússia, o que causou a morte das 298 pessoas que estavam a bordo, entre elas 193 holandeses.

No ano passado, o presidente russo, Vladimir Putin, chamou o incidente de uma “tragédia terrível”, mas disse que Moscou não tem culpa pela queda e afirmou haver outras explicações para o que aconteceu. A Rússia culpa Kiev pelo desastre, afirmando que o míssil encontrado nos escombros do acidente pertence aos arsenais do exército ucraniano.

A tragédia continua sendo um assunto altamente sensível na Holanda, onde o primeiro-ministro, Mark Rutte, colocou como prioridade encontrar os culpados e levá-los à Justiça. Em 2018, os eurodeputados holandeses ratificaram um acordo assinado com a Ucrânia para iniciar um processo judicial contra as pessoas responsáveis pelo desastre, na Holanda.

A queda do voo MH17 deteriorou ainda mais as relações entre a Rússia e o Ocidente, que já estavam estremecidas após a anexação da península ucraniana da Crimeia por Moscou, em 2014.


CN/EFE/Lusa/RTR

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