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23 de setembro de 2019

ELEIÇÕES

Oposição a Macri celebra sequência de vitórias nas eleições regionais da Argentina

12/06/2019 | 17h50min

As eleições provinciais argentinas estão sendo claramente favoráveis ao lado peronista. Dentre as realizadas até agora, a aliança de macrismo e radicalismo só venceu uma, a de Jujuy (província no noroeste do país), enquanto a oposição venceu em nove. Mas esse é um indicador pouco confiável para as eleições gerais de outubro, porque em quase todas se reelegeu o governador já no cargo e porque o peronismo não está unido. O que parece se formar é uma eleição presidencial entre dois blocos, o de Mauricio Macri de um lado e o de Alberto Fernández e Cristina Kirchner do outro. A fraqueza das opções intermediárias pode fazer com que o primeiro turno, em 27 de outubro, já seja decisivo.

O que a eleições provinciais demonstraram até agora é que a popularidade de Macri não aumenta, mas também não desaba, e que a coalizão presidencial não tem a inserção territorial que possui o peronismo. A maior eleição provincial, a de Buenos Aires, ocorrerá em outubro, no mesmo dia da votação para presidente da República e para os parlamentares das duas Câmaras, e essa terá enorme relevância: quem ganhar em Buenos Aires, com seus mais de doze milhões de eleitores, muito provavelmente será o vencedor no país.

A desconfiança em relação à atração eleitoral de Macri fez com que a maioria dos governadores, incluindo os macristas, afastasse suas datas eleitorais do 27 de outubro: não querem se ver afetados por uma possível onda de repúdio ao presidente. Buenos Aires não o fez e sua governadora, María Eugenia Vidal, disputará a reeleição junto com Macri contra o candidato kirchnerista, o ex-ministro da Economia Axel Kicillof.

Os liberais de Macri afinal conseguiram uma vitória no domingo, em Jujuy, uma das províncias mais pobres do país. O radical Gerardo Morales foi reeleito e aproveitou para pedir ao presidente que abra sua coalizão ao peronismo moderado, na convicção de que, por enquanto, os números do Cambiemos não são suficientes para uma vitória nacional.

A sequência de derrotas de Macri é grande. Em San Juan, seu candidato perdeu para Sergio Uñac, aglutinador do peronismo moderado e do kirchnerismo. Em Misiones o vencedor foi Oscar Herrera, peronista moderado. Sergio Ziliotto, outro unificador do peronismo, ganhou em La Pampa, e a capital provincial, Santa Rosa, ficou nas mãos do kirchnerista Luciano di Nápoli. Em Neuquén Omar Gutiérrez, do Movimento Popular Neuquino, teve vitória arrasadora. Em Santa Fé ganhou o socialista Antonio Bonfatti, mas as duas candidaturas peronista obtiveram mais votos. Tucumán foi para Juan Manzur, ex-ministro da Saúde de Cristina Kirchner. Em Entre Ríos venceu Gustavo Bordet, e em Río Negro, Arabela Carreras, aliada do kirchnerismo.

Na província de Córdoba, a segunda maior do país, Juan Schiaretti, peronista bem próximo a Macri, se manteve como governador. Tanto Schiaretti como o influente senador peronista Miguel Ángel Pichetto afirmaram que em um segundo turno presidencial entre Macri e Kirchner, votariam em Macri. A grande questão é se esse segundo turno ocorrerá, ou se o resultado do primeiro turno dará uma vantagem muito clara a uma candidatura para transformar em quase simbólica uma nova votação.

Os estrategistas de Mauricio Macri acreditavam que a Alternativa Federal, o bloco dos peronista moderados, obteria um bom resultado no primeiro turno e depois transportaria seus votos ao Cambiemos. Essa ajuda, somada ao repúdio a Cristina Kirchner por um amplo setor do eleitorado, deveria dar-lhes a vitória. Mas a união de Alberto Fernández, como candidato a presidente, e Cristina Kirchner, como candidata à vice-presidenta, sufocou a Alternativa Federal. E se o kirchnerismo conseguir atrair Sergio Massa, presidente da Alternativa Federal, pode sonhar com uma vitória decisiva no primeiro turno. Massa e Fernández há dias negociam e precisam de um acordo antes de quarta-feira, prazo final para o registro das coalizões eleitorais.


EL PAÍS

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